O embaixador do Peru na Organização dos Estados Americanos (OEA), Eduardo Latorre – representando o governo peruano –, líderes dos partidos de oposição e representantes de entidades da sociedade civil reuniram-se ontem, em Lima, para a primeira rodada de um diálogo mediado pelos dois enviados da entidade pan-americana ao país – o chefe de gabinete da OEA, Fernando Jaramillo, e o embaixador do Canadá na organização, Peter Boen. O encontro deve dar início à etapa de negociações para a convocação de eleições gerais em março, anunciadas por Fujimori há uma semana, em meio a um escândalo de suborno envolvendo o ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN) Vladimiro Montesinos.
O congressista do movimento Peru 2000 (governista) e assessor presidencial, Absalón Vásquez, e o ministro da Justiça, Alberto Bustamente, deslocaram-se à tarde até o hotel onde se realizava o encontro. Pouco depois, chegaram também ao hotel as congressistas Martha Chávez e Luz Salgado, duas das mais destacadas defensoras de Fujimori no Legislativo. A conversa se estenderia pela noite.
O principal entrave nas negociações mediadas pela OEA é o futuro de Montesinos. Os oposicionistas exigem que ele seja imediatamente detido e processado para votar as reformas constitucionais propostas por Fujimori e tornar viáveis as eleições.
Dois dias depois de o Comando Conjunto das Forças Armadas ter emitido uma nota oficial expressando seu apoio irrestrito à decisão de Fujimori de convocar as eleições gerais - com o objetivo de conter os insistentes rumores de que um golpe militar estava em marcha –, o deputado oposicionista Jorge del Castillo, citando ‘‘fontes do Departamento de Estado em Washington’’, denunciou uma manobra de Montesinos e da cúpula militar para passar para a reserva alguns oficiais que defendem a institucionalidade do Exército.
Exceto pela presença diária de manifestantes na frente do palácio do governo, no centro de Lima, a turbulência política parece estar perdendo força no país. ‘‘A mensagem enviada pelos militares indica que, pelo menos por enquanto, a situação é calma’’, disse à Agência Estado o analista político Víctor Pontes. ‘‘Mesmo os oficiais militares que não aceitam a destituição de Montesinos têm consciência de que um golpe não se sustentaria, não só por causa da pressão internacional, mas também pela situação interna.

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