Peru admite libertar os sequestradores
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sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Reuter, 
de Lima
France PresseAlimentaçãoUm militar peruano supervisiona a entrega de pacotes com alimentos destinados aos reféns ainda mantidos pelo MRTA
O governo peruano ofereceu ao comando do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), que mantém 74 reféns na residência do embaixador japonês em Lima desde o dia 17, a possibilidade de deixar o país para o exílio em troca da libertação de todos os cativos, informou ontem o jornal La República. De acordo com o diário, a proposta foi formulada por Vladimiro Montesinos, principal assessor do presidente peruano, Alberto Fujimori, durante a visita que fez a dois líderes do MRTA - Miguel Rincón e Juan Castillo, presos e condenados à prisão perpétua -, na penitenciária de Yanamayo, perto de Lima, no dia 2.
O plano, apresentado por Montesinos como a única saída pacífica possível, prevê ainda a criação de uma comissão independente - que seria provavelmente integrada por autoridades estrangeiras -, para garantir o cumprimento do acordo, e a melhoria das condições carcerárias do Peru, qualificadas pelos membros do MRTA como subumanas.
O governo peruano, que se recusa a aceitar a exigência dos rebeldes de libertar mais de 400 membros do MRTA presos no país, tem anunciado que não está negociando com os guerrilheiros, mas reconhece que mantém contatos informais com o grupo para obter uma saída pacífica para a crise.
Fujimori também pedira quarta-feira às empresas japonesas que não cedessem às exigências dos rebeldes para pagar resgates por seus funcionários que estão no cativeiro. O MRTA contudo negou ontem que esteja pedindo resgate pelos reféns. O comando rebelde afirma que a única coisa que eles querem é a libertação de seus companheiros presos por acusações de terrorismo.
A revista peruana Caretas assegura em sua edição desta semana que unidades de elite da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, sob o comando do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, intensificaram o treinamento nos últimos dias para uma eventual ação de resgate. Como vem ocorrendo desde o início do sequestro, as autoridades se recusaram a confirmar ou a desmentir a notícia.


