O segundo Encontro da Terra terminou na madrugada de ontem, antecipando ‘‘perspectivas sombrias’’ para o meio ambiente, após fracassarem as negociações sobre medidas concretas, suscetíveis de evitar uma deterioração ecológica irreversível do planeta. ‘‘Houve falta de vontade política’’, lamentou o presidente da Assembléia Geral da ONU, Razali Ismail, destacando que o magro resultado da conferência devia servir de ‘‘sinal de alerta’’ ao mundo inteiro.
O encontro examinou durante cinco dias o caminho percorrido desde a Eco-92, no Rio de Janeiro, e tentou esboçar novas estratégias para o século XXI.
Pela primeira vez, um encontro da série de grandes conferências internacionais organizadas pela ONU desde o início da década de 90 terminou com um fracasso reconhecido.
‘‘Foi um fracasso total’’, disse à imprensa Thilo Bode, diretor da organização ecológica Greenpeace, que criticou os governos participantes por sua falta de determinação para atender às questões ambientais mais urgentes.
Foi aprovado finalmente um texto sumamente vago, destacando a necessidade de reduzir de maneira ‘‘significativa’’ os gases causadores do ‘‘efeito estufa’’, mas sem fixar datas específicas.
A falta de consenso se agravou depois que o presidente dos EUA, Bill Clinton, evitou, na quinta-feira, qualquer compromisso sobre limites obrigatórios para a emissão de gases poluentes, responsáveis pelo preocupante fenômeno, que a longo prazo pode provocar uma elevação do nível dos oceanos.
Pressionado pelo Congresso e pelos grandes grupos industriais, Clinton recusou-se a aceitar a proposta européia de fixar prazos para controlar a emissão desses gases.

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