Perspectiva de vitória da esquerda preocupa Chirac
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de maio de 1997
Raúl Zamora, 
da France Presse
PARIS - Preocupado com a perspectiva de ter que governar com a esquerda, apesar da anunciada vitória da direita nas iminentes eleições legislativas, o presidente Jacques Chirac provocou um debate ao introduzir na campanha o tema da Europa, até agora mais ou menos escamoteado. Dirigindo-se aos franceses, por motivo de um encontro com o chanceler alemão Helmut Kohl terça-feira à noite em Paris, Chirac lhes disse que sobre a Europa a França só poderá defender seus interesses se for capaz de falar com uma só voz.
Esta intervenção do chefe do Estado associando coabitação e problemas europeus na campanha eleitoral, cujo primeiro turno se realizará domingo, provocou a reação imediata do líder socialista Lionel Jospin, mas a polêmica continuou ontem.
É evidente - disse Jospin - que em caso de coabitação (do presidente direitista com um governo esquerdista) a França falará com uma só voz na Europa como já o fez nas duas coabitações do presidente socialista François Mitterrand com os governos direitistas da época.
Essa é uma afirmação gratuita que ficaria desmentida pelos fatos, replicou o premier Alain Juppé, acrescentando que se os socialistas ganharem as eleições parlamentares haveria inevitavelmente uma crise na Europa.
Tanto Chirac como Juppé aludiram assim implicitamente às contradições existentes na aliança socialista-comunista com respeito ao ingresso da França na moeda única européia e à sua ação na União Européia.
Os socialistas, campeões do europeísmo sob a presidência de Mitterrand, impulsionaram o acordo sobre a criação da moeda única européia mas agora vacilam e tentam jogar água no vinho devido aos problemas sociais imensos que provocam as exigências financeiras do tratado de Maastricht.
Chirac, que como candidato presidencial colocou a possibilidade de fazer um plebiscito sobre a moeda única, se converteu ao credo europeísta e reiterou em sua reunião com Kohl que a França manterá seus compromissos europeus com lucidez e pragmatismo.


