Persistência leva à descoberta de tumba de faraó
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de novembro de 2000
France Presse De Paris 
Acabo de fazer uma descoberta maravilhosa no vale. Uma magnífica tumba com selos intactos! Fechei-a e espero sua chegada. Esta declaração fazia parte do telegrama enviado no dia 6 de novembro de 1922 por Howard Center, arqueólogo britânico apaixonado por egiptologia, ao patrocinador das suas escavações no Egito, Lord Carvanon.
A mensagem fez com que o rico mecenas, que financiava desde o início do século suas investigações, deixasse Londres para conhecer a descoberta. Vinte dias depois, Carter e Carvanon se preparam para abrir a última tumba real não escavada da antiga cidade de Tebas, a 750 km ao Sul do Cairo, no Alto Egito.
Tratava-se da tumba de Tutankamon, rei do Egito da dinastia 18 (1361/1352 AC). Depois de seis estações de escavações infrutíferas, os dois britânicos vêem sua perseverança finalmente recompensada.
De fato, Howard Carter realmente nunca duvidou que conseguiria. Os quase 20anos de escavações meticulosas realizadas por ele e por outros na região desde o século 18o convenceram de que a tumba de Tutankamon estava sepultada não muito longe do Vale do Nilo.
Por isso, em 1914, Howard Cater, aquarelista de formação, incentiva seu patrocinador Carnavon a retomar a concessão do vale abandonado pelo norte-americano Theodoro Davis. E se dedica a partir daí a encontrar a tumba do faraó Tutankamon.
Mas a guerra explode e interrompe sua sede descoberta.
Depois dos 50 anos, o britânico vive, no dia 26 de novembro de 1922, o dia mais feliz de sua vida, o dia dos dias, segundo suas palavras. A emoção toma conta de Carter quando ele contempla pela primeira vez o interior da tumba de Tutankamon.
Primeiro, não vi nada, conta em seu diário... depois... durante alguns segundos fiquei mudo de surpresa. Ao seu lado, o Conde de Carvanon, impaciente, pergunta se ele vê algo e não recebe mais do que uma resposta lacônica: Sim, maravilhas.
A percepção do tesouro contido na antesala da tumba realmente tem tudo para provocar um estado febril. Não menos do que três mil objetos preciosos, tronos, estátuas, móveis, armas, tudo brilhando em ouro, serão extraídos das cinco câmaras da tumba.
A tumba, coberta de ouro, contém um sarcófago em quartzo vermelho formado por três caixas encaixadas umas nas outras, sendo a última delas (110 kg) de ouro maciço, onde fica a múmia de Tutankamon.
A outra peça mestra do tesouro é uma máscara funerária com o desenho do rosto do rei, em ouro incrustrado de lápis-lazúli, cornalina e vidros coloridos. Esta preciosidade deu a volta ao multo, em várias exposições consagradas a este faraó de reino efêmero (9 anos), morto aos 18 anos.
A novidade da descoberta britânica se espalha muito rápido.
Como Lord Carnavon deu exclusividade ao Times para noticiar as descobertas da Tumba de Tutankamon, este veículo saiu na frente de toda imprensa internacional.
Seu correspondente, Merton, foi o único jornalista convidado, no dia 30 de novembro, para a abertura oficial da tumba em companhia do diretor-geral do serviço de Antiguidades, o francês Pierre Lacau, e do conselheiro britânico do Ministério dos Trabalhos Públicos.
Depois da guerra, a Europa necessitava sonhar. A história deste tesouro de três milênios, achado intacto, chega no momento certo. Em alguns dias, Tutankamon passa status de faraó a estrela universal.
Uma multidão de turistas passa a atrapalhar todos os dias os trabalhos dos escavadores, que se estenderam até 1925.
Na França, a descoberta de Tutankamon e da lenda que o rodeia a maldição do faraó que ressurge, principalmente, depois da notícia da misteriosa de Lord Carnavon em maio de 1923 em Paris dá início a uma egiptomania em todas as partes do mundo. Uma nova linha de vestidos ao estilo egípicio também faz sucesso na primavera de 1923 em Paris.
O antigo Egito inspira ainda o desenhista belga Hergé, que desenha o álbum os charutos do faraó (1932) e capta numerosos olhares da expedição realizada dez anos antes.


