Passeatas, concentrações e bloqueios de estradas marcaram, ontem, o segundo dia de protesto convocado por várias entidades argentinas. Os prédios públicos da capital federal mostravam um aspecto fúnebre, porque os funcionários instalaram grandes faixas negras nos balcões e janelas, em sinal de ''luto'' pelo ajuste. A lei de déficit fiscal zero dispôs um corte salarial de 13% para funcionários públicos e aposentados que ganham mais de 500 pesos (mesmo valor em dólares). Os funcionários públicos de diversos setores da capital argentina também paralisaram ontem suas atividades para protestar contra o corte salarial que sofreram, em uma jornada que chamaram de ''Dia de Luto do Estado Nacional'', no contexto do protesto de 72 horas que termina hoje.
Milhares de pessoas, segundo fontes policiais, continuaram bloqueando estradas e pontes e ao meio-dia se somavam a interrupções do trânsito na capital federal por funcionários públicos, contra o ajuste econômico do governo.
A maior concentração acontece no populoso município bonaerense de La Matanza (20 km a oeste de Buenos Aires), habitualmente escolhido por piqueteiros da província de Buenos Aires (a mais povoada do país) para realizar seus protestos. Em La Matanza vivem 2 milhões de pessoas, das quais 40% subsistem com renda abaixo da linha da pobreza; cinco de cada 100 desempregados vivem ali, segundo dados extra-oficiais.
Ontem, a polícia de La Matanza informou que cerca de 2.000 pessoas permaneciam em cinco bloqueios de estradas e ruas nessa localidade.
Em Rio Negro (1.900 km a sudoeste), a polícia das principais cidades continuava aquartelada ontem em protesto contra o pagamento parcelado de seus salários com tíquetes refeição e alimentação, assim como pelo atraso no pagamento do adiantamento do décimo terceiro salário e os salários do mês de julho. Professores, trabalhadores do judiciário e da saúde dessa mesma província decretaram para hoje uma paralisação total de atividades. Bloquearão também a rodovia nacional 3, sobre a ponte do Rio Negro que une as cidades de Viedma e Carmen de Patagones.

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