Poucos eventos, nos últimos anos, conseguiram reunir as principais lideranças do Partido Justicialista (também conhecido como ‘‘Peronista’’) em um mesmo lugar, e muito menos para declarar alguma espécie de apoio ao ex-presidente Carlos Menem. No entanto, isso ocorreu ontem ao meio-dia, no Congresso Nacional, local onde as divididas e confrontadas lideranças do partido fundado há mais de meio século pelo general Juan Domingo Perón se encontraram para defender Menem das acusações de ter chefiado o tráfico de armas ao Equador e a Croácia, entre 1991 e 1995.
A mobilização peronista começou dias atrás, quando o promotor Carlos Stornelli pediu ao juiz federal Jorge Urso o processo de Menem pelo escândalo das armas. Na quarta-feira, as lideranças do partido anunciaram que realizariam um boicote às leis do governo no Congresso Nacional, já que não existia clima ‘‘de serenidade’’ para os debates e votações. Esta afirmação assustou os mercados e o governo, que temem que a oposição possa bloquear uma série de projetos necessários de reformas da economia.
Doze dos 14 governadores peronistas, além das lideranças do partido na Câmara de Deputados e Senado, anunciaram seu apoio a Menem em uma cerimônia de 15 minutos. Em um comunicado breve, os peronistas afirmaram que o pedido de processo a Menem era ‘‘uma perseguição ao peronismo’’.
Com um jogo de palavras que foi aplaudido durante minutos, o senador José Luis Gioja afirmou que é preciso evitar ‘‘a judicialização da política e a politização da Justiça’’. Os peronistas afirmaram que o partido ‘‘continuará assegurando a governabilidade’’, mas que ‘‘não pode ficar calado’’ por estes acontecimentos. ‘‘Esta é uma aberração que desprestigia a Argentina perante o mundo.’’
Segundo o comunicado, os peronistas consideram ‘‘grave que um presidente eleito democraticamente duas vezes seja levado à Justiça só por meras suspeitas’’.
No final da cerimônia, todos ficaram em pé e cantaram em voz alta ‘‘Los muchachos peronistas’’, a cinquentenária emblemática marcha do partido. As lideranças somente murmuraram o verso ‘‘juntos unidos triunfaremos, combatendo o capital’’.
Em outubro serão realizadas eleições parlamentares, e uma eventual imagem de Menem sendo preso, veiculada pelos jornais e TV, implicaria em uma significativa perda de votos para os peronistas.

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