Perjúrio pode levar Clinton ao impeachment
É uma coisa ou outra: estamos diante do maior ato de autodestruição de um político americano neste século ou de uma enorme manobra para difamar o presidente dos Estados Unidos, disse, na noite de quarta-feira, o jornalista David Gergen, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton.
Com o governo americano virtualmente paralisado pelo novo escândalo sexual envolvendo Clinton e uma ex-estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, a assessoria presidencial trabalhou freneticamente ontem para montar uma estratégia capaz de conter os danos do episódio e evitar a pior hipótese aventada por Gergen - e considerada um cenário plausível por analistas democratas e republicanos -, o do processo de impeachment do presidente dos Estados Unidos. Isso, caso se comprove que ele cometeu crime de perjúrio e conspirou com seus associados para obstruir a justiça, aconselhando Lewinsky a negar a relação amorosa de um ano meio que teve com Clinton, segundo ela mesma contou a uma ex-colega, Linda Tripp, em várias conversas telefônicas gravadas e num encontro no saguão de um hotel orquestrado pelo FBI, há menos de duas semanas.
O caso da estagiária Monica Lewinsky ou é um dos piores escândalos da história da Presidência dos Estados Unidos ou uma das maiores armadilhas já armadas contra ela. Ele é potencialmente muito pior do que todos os outros alegados escândalos que têm acossado o governo de Bill Clinton desde o seu início ou até mesmo antes dele. Ao contrário da maioria dos anteriores, este é um episódio recente. Não aconteceu há 10 ou 15 anos, como Whitewater, quando Clinton ainda não era presidente.
Embora Lewinsky fosse maior quando o suposto romance entre ela e o presidente ocorreu, ela era apenas dois anos mais velha que a filha do presidente, Chelsea. Além disso, o incidente envolve a possibilidade de Clinton ter mentido durante testemunho sob juramento diante de uma juíza federal. No sábado passado, o presidente provavelmente respondeu a perguntas sobre sua relação com Lewinsky, durante seu depoimento para a ação que Paula Jones move contra ele por assédio sexual.
Se disse não ter nunca tido contato físico íntimo com Lewisnky e isso se provar incorreto, significará perjúrio, crime que, segundo consenso entre advogados, justifica a abertura de um processo de impeachment contra o presidente.
Se também ficar provado que Clinton sugeriu ou pediu a amigos que sugerissem a Lewinsky mentir sobre seu relacionamento, isso constituirá obstrução de justiça, uma das acusações que levaram à derrocada de Richard Nixon.





