São Paulo - Peritos franceses já isolaram o DNA de 78 das 150 pessoas que estavam a bordo do Airbus A320 da Germanwings que caiu nos Alpes franceses na terça-feira passada (24) - e matou seus 150 ocupantes -, segundo confirmou ontem o promotor que comanda a investigação, Brice Robin.
Os trabalhos de resgate dos corpos dos passageiros no local do acidente continuaram pelo sexto dia consecutivo ontem, com 50 voos de helicópteros diários para transportar as equipes de busca. A Gendarmaria instalou em Seyne-les-Alpes um posto com material de seu laboratório dos arredores de Paris para fazer a análise das amostras que chegarem da montanha. Posteriormente, os dados serão comparados em Paris com o DNA das famílias, o que permitirá identificar cada um dos ocupantes da aeronave. O promotor também afirmou que, para acelerar a investigação, será construído um caminho que leve até o local do acidente, o que permitirá substituir os helicópteros e agilizar as pesquisas.

O ACIDENTE

O jornal alemão "Bild" revelou ontem que Patrick Sondenheimer, o piloto do avião, pediu aos gritos para que o copiloto, Andreas Lubitz, de 27 anos, abrisse "a maldita porta" enquanto tentava arrombá-la, mostraram as gravações da primeira caixa-preta encontrada.
Quando Lubitz já teria acionado o sistema de descida, e os controladores aéreos franceses tinham tentado, às 10h32, contatar sem sucesso o avião, a gravação registra o sinal de alarme automático de perda de altura. Imediatamente depois se ouve um forte golpe, como se alguém tentasse abrir com um chute a porta da cabine, e a voz do capitão gritando: "Pelo amor de Deus, abra a porta!".

ANSIEDADE

Andreas Lubitz, que acumulava uma experiência de 630 horas de voo, sofria de transtorno de ansiedade generalizada (TAG), segundo informou neste domingo o jornal francês "Le Parisien". De acordo com a publicação, os médicos que o atenderam aplicaram injeções de olanzapina, que tem efeito antipsicótico, e recomendaram que Lubitz praticasse esportes para recuperar a autoconfiança.
Lubitz, que supostamente derrubou a aeronave de forma deliberada durante o trajeto entre Barcelona e Düsseldorf, também aparentava ter problemas com o sono, para o qual foi recomendado a usar o antidepressivo agomelatina.
A promotoria de Düsseldorf informou na sexta-feira que encontrou documentos médicos "que apontam uma doença e o tratamento médico correspondente" na casa de Lubitz e na de seus pais, na cidade alemã de Montabaur. O site do jornal alemão "Die Welt" informou na semana passada que agentes da polícia acharam vários remédios para tratar um grave "transtorno psicossomático" no apartamento em Düsseldorf.
Após decolar com atraso de Barcelona, o comandante tinha explicado ao copiloto, entre outras coisas, que não tinha tido tempo de ir ao banheiro, e Lubitz ofereceu assumir o comando da aeronave em qualquer momento. Depois do controle para preparar a aterrissagem o copiloto volta a oferecer ao comandante assumir o comando para que ele possa ir ao banheiro. Dois minutos mais tarde, Sondenheimer diz: "Pode assumir o comando". Então é ouvido o barulho de uma cadeira e da porta se fechando. Exatamente às 10h29 o radar registrou a primeira diminuição de altitude do avião.

PROBLEMA DE VISÃO

Segundo reportagem publicada sábado pelo jornal americano "The New York Times", que credita essa informação a fontes oficiais ligadas à investigação, Lubitz procurou tratamento para um possível problema de visão, que, se confirmado, poderia colocar em risco suas habilidades como piloto e, inclusive, fazê-lo perder o emprego. Ainda não está claro se o problema de visão está relacionado à condição psicológica de Lubitz.

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