Peritos investigam matanças de Kabila
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 1997
France Presse Kinshasa 
A missão da 0NU para investigar as matanças na República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire) será finalmente recebida de forma oficial amanhã em Kinshasa, quase uma semana depois de sua chegada. Nos informaram quinta-feira à noite que a missão será recebida segunda-feira de manhã pelo comitê de ligação, encarregado das relações entre o governo da RDC e os investigadores, informou ontem o porta-voz da missão, José Díaz.
Depois de vários meses de resistência, esta audiência é uma reunião prévia ao início das investigações. O ministro da Reconstrução, Etienne Richard Mbaya, preside o comitê de ligação. Ao chegar a Kinshasa, a missão liderada pelo jurista togolês Atsu Koffi Amega, declarou querer começar a trabalhar o mais rápido possível. Amega afirmou que desta vez tem muito mais esperança no êxito dos trabalhos da missão, apesar das várias dificuldades apresentadas pelo presidente Kabila.
Encarregada de investigar as acusações de massacres cometidos no Zaire, a missão já esteve em Kinshasa, de agosto a setembro. Em junho e julho, as duas primeiras missões da ONU, lideradas pelo diplomata chileno Roberto Garretón, autor de um informe sobre as atrocidades dos militares de Kabila, haviam sido recusadas.
Já a missão Amega ainda não pôde trabalhar devido à negativa de Kabila de autorizar o acesso dos investigadores a algumas zonas, como a região de Mbandaka (Noroeste), de onde procedem informações sobre graves matanças cometidas recentemente. Para Kinshasa, os investigadores tinham de limitar-se às províncias do Leste.


