O medo do antraz poderá criar problemas psicológicos a longo prazo e desencadear episódios de histeria coletiva, afirma a revista científica British Medical Journal (BMJ) em seu número que está nas bancas, hoje. ''O nível geral de medo e ansiedade pode manter-se por anos, exacerbando os transtornos psicológicos que existiam anteriormente e aumentando os riscos de enfermidade coletiva'', segundo a revista científica, que evoca a possibilidade de histeria em massa.
As armas biológicas são muito diferentes dos fatores de terror aos quais as pessoas estiveram confrontadas anteriormente, como os bombardeios aéreos, explica. Este último tipo de ameaça é visível e quantificável e a maioria das pessoas é capaz de manejá-la racionalmente.
Entretanto, o carbúnculo é uma ameaça invisível. Incapazes de percebê-la, defender-se ou proteger-se dela, as pessoas se deixam invadir pelo sentimento de impotência e de angústia.
''Como as autoridades não podem garantir totalmente que não exista perigo em caso de exposição rápida e sem sintomas a agentes tóxicos, a frustração e a desconfiança nos médicos e nas autoridades governamentais podem aparecer, o que privaria as instituições oficiais da confiança pública, precisamente o elemento necessário para combater o problema'', disse o BMJ.
O artigo é assinado por Simon Wessely, professor de Psicologia do Instituto de Psiquiatria de Londres; Kenneth Craig Hyams, conselheiro médico do departamento norte-americano para os ex-combatentes, e Robert Bartholomew, sociólogo da James Cook University de Queensland, Austrália.
As autoridades assinalam que o clima de ansiedade geral está sendo involuntariamente agravado por atitudes que ignoram as considerações psicológicas. Por exemplo, os investigadores protegidos pelos escafandros espaciais que são mostrados pelos meios de comunicação toda vez que há um aviso de alerta contribuem para aumentar o medo das pessoas, em vez de tranquilizá-las.

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