Peregrinação do papa à Terra Santa começa hoje
Agência Estado
De Jerusalém
Ao descer sozinho de um helicóptero e colocar os pés nas areias do Monte Nebo, na Jordânia, no exato ponto onde a Bíblia diz que Moisés avistou a Terra Prometida, o papa João Paulo II começa hoje a realizar um dos sonhos de sua vida.
Desse ponto, também conhecido como Pisgah, ele poderá contemplar o rio Jordão e sua margem ocidental, o Mar Morto e, se o dia for claro, até mesmo Belém e Jerusalém a distância.
Tudo isso sem perder de vista os outros objetivos que traçou para essa visita. Entre eles, o de estreitar os laços entre a Igreja Católica e as demais igrejas cristãs que marcam através de monumentos sua presença na Terra Santa, e o de incentivar a pacificação entre judeus e muçulmanos, tradicionais habitantes da região.
Ainda na Jordânia, o primeiro país visitado e cujo papel de mediador no conflito entre judeus e palestinos não deve ter sido desprezado pela diplomacia do Vaticano, consta do roteiro papal a visita a Wadi Al-Kharrar. - Neste local, na margem oriental do rio Jordão, diz a tradição (embora muitos contestem) que Jesus foi batizado por João Batista.
Em seguida, deixando para trás a Jordânia, o pontífice passa à margem ocidental e nas proximidades de Jericó, numa zona ainda ocupada militarmente por Israel, o Papa estará em Qasr El Yahud, exato ponto por onde os judeus adentraram na Terra Prometida, ao fim de 40 anos vagando pelo deserto após a fuga do Egito.
João Paulo II chega a Israel amanhã, em meio às celebrações do carnaval judaico, o Purim, quando gente fantasiada sai às ruas e há desfiles, inclusive em Tel Aviv. Entre as alegorias do desfile deste ano, estará uma imagem do ilustre visitante de quatro metros de altura.
Em Israel, o papa visitará lugares como a Capela do Cenáculo (local da Última Ceia), os Jardins de Getsêmani, a Basílica da Anunciação, em Nazaré, a Via Dolorosa (caminho do Calvário) e a região do Mar da Galiléia. E também outros que estão sob jurisdição palestina, como a Igreja da Natividade, em Belém, em cujas proximidades João Paulo II celebrará missa para 20 mil peregrinos.
A maioria dos palestinos prepara-se para dar a Sua Santidade uma acolhida compatível com a simpatia neles despertada pela política do Vaticano, que defende a participação formal da Autoridade Palestina (AP) na decisão sobre a divisão de Jerusalém.
Por outro lado, a maioria dos israelenses (60% segundo pesquisa do Instituto Gallup), também tem uma expectativa favorável em relação à visita papal, a primeira de um pontífice ao país desde o reconhecimento do Estado de Israel pelo Vaticano em 1994.





