Os políticos americanos acolheram a confissão de Bill Clinton sobre sua relação com Monica Lewinsky com uma atitude oscilante entre a vontade de perdoar o homem e condenar o presidente, que pode ser objeto de um processo de destituição.
Membro respeitado da ala mais conservadora do Congresso, o senador republicano Orrin Hatch liderou os numerosos comentários políticos que se seguiram ao ‘‘mea culpa’’ presidencial.
‘‘Estou disposto a perdoá-lo por suas mentiras dos últimos sete meses e bem antes desse período’’, disse Hatch à CBS.
‘‘Por outro lado, se houve perjúrio, obstrução de justiça e conspiração com o objetivo de cometer atos ilegais, será necessário esperar que (o promotor especial) Ken Starr envie seu informe, para serem julgadas as provas’’, acrescentou o presidente da comissão judicial do Senado.
A maioria dos republicanos, majoritários no Congresso, não escondeu sua decepção diante das justificativas de Clinton.
‘‘Sinto muita simpatia pela senhora Clinton e por sua filha’’, disse o senador republicano Arlen Specter (Pensilvânia). ‘‘Mas acho que não é totalmente certa a afirmativa de que não houve obstrução de justiça nem perjúrio’’, prosseguiu.
A possibilidade de um processo de destituição de Clinton, enquanto se espera o informe ao Congresso do promotor Starr, permanece, mais do que nunca, na ordem do dia da agenda republicana.
No lado democrata, no entanto, a confissão de Clinton parece muito longe de justificar por si só o início desse processo.
‘‘Creio que era importante pedir desculpas’’, estimou o representante de Massachusetts, Barney Frank, na NBC. ‘‘Mas pelo que vi e as acusações que escutei (...) não vejo o menor fundamento para qualquer processo’’, disse.
Embora prevejam que não culmine num ‘‘impeachment’’, numerosos republicanos estimam que o caso Lewinsky assestou um golpe terrível na credibilidade do homem e da instituição que representa. (AFP)

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