Pequenas ilhas temem o ecoterrorismo
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2005
Beatrice Debut<br>France Presse 
Port Louis- Autoridades das pequenas ilhas, ameaçadas pelo aumento do nível das águas, acusaram os países industrializados de atos de ''ecoterrorismo'' e os convocaram a adotar medidas contra a mudança climática.
Anote Tong, chefe do Estado de Kiribati, que fica no Pacífico e tem 90.000 habitantes, poucos metros acima do nível do mar, denunciou as emissões de gás de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta, em uma reunião internacional das Nações Unidas sobre as pequenas ilhas em desenvolvimento, em Port-Louis.
''Estes atos deliberados por parte de alguns, destinados a garantir seus lucros em detrimento dos outros, podem ser comparados a atos de terrorismo, ao ecoterrorismo'', disse.
''A comunidade internacional deve adotar medidas imediatas e radicais para reduzir as emissões de gás com efeito estufa'', acrescentou Tong.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, por sua vez, ratificou este pedido ao declarar: ''Devemos estar prontos para adotar medidas decisivas contra as mudanças climáticas''.
''Quem ousaria afirmar que o que o fazemos é suficiente'', questionou, antes de convocar a comunidade internacional a ''adotar medidas decisivas diante das mudanças climáticas''.
Com as Maldivas, Tuvalo e ilhas Marshall, a República de Kiribati faz parte do grupo de países mais ameaçados pelo crescimento dos oceanos devido ao degelo dos icebergs causados pelo aquecimento da terra. A capital das Maldivas, Male, por exemplo, pode desaparecer em 2100, segundo as previsões das autoridades locais.
No mundo, o nível médio do mar aumentou de 10 a 20 cm no último século, dez vezes mais do que o calculado para os três mil anos anteriores, segundo a ONU.
No próximo dia 16, entrará em vigor o Protocolo de Kyoto, que determina a 38 países a redução das emissões de gás com efeito estufa. O texto não foi aceito pelos Estados Unidos, um dos principalmente poluidores do planeta.
A conferência da ONU, organizada na capital de Mauricio, da qual participam 110 países, estuda meios de ajudar os PEID a fazer frente aos vários desafios que o aquecimento da Terra vai apresentar.
Em um documento sobre a estratégia de desenvolvimento destas nações, que deve ser adotado na sexta-feira no encerramento da reunião, ''os países que firmaram o Protocolo de Kyoto'' convocam outros a fazerem o mesmo enquanto há tempo. A declaração foi considerada sem firmeza pelos observadores.


