Um júri sentenciou ontem o branco John William King a morrer através de uma injeção letal por ter arrastado com um carro um negro até matá-lo em um dos mais horríveis assassinatos racistas na história recente dos Estados Unidos.
King, de 24 anos, tornou-se o primeiro réu branco sentenciado à morte no Texas pelo assassinato de um negro desde que a pena de morte foi restaurada no Estado nos meados da década de 70.
Apesar dos apelos do pai de King para que ele fosse sentenciado à prisão perpétua, o júri composto de 11 brancos e 1 negro - que havia declarado o réu culpado na terça-feira - condenou o racista à morte.
Ele ouviu o juiz pronunciar a sentença em silêncio, mas saiu sorrindo desafiadoramente da sala. Do lado de fora do tribunal, quando repórteres perguntaram a ele se tinha algo a declarar para a família da vítima, King respondeu com obscenidades.
King e outros dois amigos - Lawrence Russel Brewer, de 31 anos, e Shawn Berry, de 24, que devem começar a ser julgados nos próximos dias - foram acusados do brutal assassinato de James Byrd, de 49 anos, ocorrido em junho do ano passado.
O corpo de Byrd foi esquartejado, segundo legistas que depuseram no julgamento de King, enquanto ainda estava vivo.
O grupo de assassinos, aparentemente celebrando a fundação de uma organização supremacista branca em Jasper, no Estado do Texas, atraiu Byrd com a oferta de uma carona, mas, em vez de levá-lo para casa, transportaram-no até um bosque da região.
A vítima foi espancada e torturada pelos três homens até que fosse amarrado com uma corrente à picape de King e arrastado por vários quilômetros. O braço direito foi separado do corpo de Byrd durante a sessão de tortura e sua cabeça foi decepada depois de chocar-se contra um bloco de concreto.
Em sua última exposição de argumentos para convencer o júri a sentenciar King à morte, o promotor Guy James Gray sustentou que uma pena de prisão perpétua daria ao réu ‘‘pelo menos 40 anos’’ para que ele voltasse a matar.
‘‘Será uma oportunidade para que ele assassine um guarda negro, um guarda judeu ou qualquer um que não comungue de sua visão satânico-racista,’’ argumentou Gray.
A defesa, no entanto, preferiu adotar a estratégia de tentar comover o júri utilizando-se do frágil estado de saúde do pai do réu, Ronald King, que sofre de enfisema.
‘‘O voto dos senhores (pela sentença de morte) pode pôr fim à vida não de um, mas de dois homens, ambos chamados King’’, argumentou o advogado Brack Jones.
Os advogados de King também afirmaram que o ódio racial do assassino provém dos maus-tratos que ele recebeu de gangues de negros quando esteve na prisão, entre 1995 e 1997, sob a acusação de vandalismo.
De acordo com os defensores, King foi obrigado a juntar-se a uma organização racista - a dos Cavaleiros Confederados da América, que tinha uma ramificação no interior da prisão - para proteger-se.
‘‘Foi essa união que permitiu a ele sobreviver no ambiente penitenciário’’, alegou Jones.

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