Pena de morte é questionada pelos americanos
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de setembro de 2000
Dominique Simon France Presse De Washington 
Os norte-americanos estão assustados com as revelações sobre as falhas do seu sistema judicial e começam a se questionar sobre a validade da pena de morte. Um deles é o governador republicano de Illinois, George Ryan, que impôs moratória às execuções no seu Estado.
Segundo as pesquisas, o número de pessoas que defendem a aplicação desta penalidade está diminuindo: atualmente 64% dos norte-americanos são a favor e 25% contra. Em 1997, 75% da população eram a favor das execuções. Desde a retomada das execuções em 1977, 666 já foram executadas. Só este ano, foram 68.
A reprovação da comunidade internacional, que promove campanhas contra a penalidade a cada execução feita nos Estados Unidos, também preocupa os norte-americanos. O representante da Anistia Internacional em Washington, Ajamu Baraka, acredita que as campanhas realizadas no exterior, principalmente na Europa, trazem um apoio moral adicional às forças que se opõem à pena de morte nos Estados Unidos.
Na opinião de Baraka, um número significativo de norte-americanos se preocupa com a imagem dos Estados Unidos no mundo e está muito incomodado com a oposição da comunidade internacional.
Segundo o representante da Anistia Internacional, a candidatura de George W. Bush à Casa Branca contribuiu para acender os debates. No Texas, estado do qual o republicano é governador, 144 condenados foram executados desde que ele foi eleito em janeiro de 1995.
Richard Dieter, representante do Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPIC), em Washington, reconhece que estão acontecendo debates calorosos, mas afirma que as discussões giram em torno de casos individuais. A pena de morte não afeta demais o dia-a-dia das pessoas comuns. Não é uma questão primordial, declarou.
Um estudo publicado em junho por pesquisadores da Universidade de Columbia, em Nova York, mostrou uma série de erros no julgamento de pessoas condenadas à morte, ao mesmo tempo que constatou o crescimento do número de execuções nos últimos anos.
A pesquisa prova que os réus recorreram a um novo julgamento em 68% das 4. 578 sentenças de morte proferidas entre 1973 e 1995 nos Estados Unidos e tiveram suas sentenças anuladas. Sete por cento destas pessoas foram declaradas inocentes.


