Pelo menos 30 feridos em protestos contra Pinochet
Pelo menos 30 pessoas ficaram feridas e outras 580 foram detidas entre quarta-feira e ontem nos protestos contra o ingresso do ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, no Senado, informaram fontes policiais.
A manifestação mais violenta ocorreu em Valparaíso, a cerca de 120 quilômetros de Santiago, onde fica a sede do Senado, na quarta-feira, no momento em que Pinochet fazia seu juramento como senador vitalício.
Entre 5 mil e 6 mil pessoas tentaram cercar o edifício, fortemente protegido pelos carabineros. A polícia conseguiu evitar choques entre grupos pró e contra Pinochet, mas, na repressão ao protesto, disparou balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e jatos de água nos manifestantes.
A secretária-geral do Partido Comunista chileno, Gladys Marín, foi ferida no rosto por uma bala de borracha e a presidente da Agrupação de Familiares de Detidos e Desaparecidos do regime militar, Sola Sierra, sofreu ferimentos leves durante o tumulto.
No plenário da Casa, constrangido, Pinochet assistiu ao protesto de parlamentares que o hostilizaram exibindo cartazes com fotos de presos desaparecidos e políticos assassinados durante a ditadura. Das galerias, um estudante interrompeu a cerimônia aos gritos de assassino!.
Do lado de fora, nas principais cidades do país, os protestos atravessaram a madrugada, estendendo-se até a manhã de ontem.
Na véspera de assumir a cadeira de senador vitalício, Pinochet, de 82 anos, deixou o comando do Exército chileno depois de exercê-lo por 24 anos. A prerrogativa de tornar-se parlamentar, por ter exercido a presidência da república por período superior a seis anos, está prevista na Constituição promulgada pelo próprio Pinochet.
Assim como o de comandante das Forças Armadas, o posto de senador dá ao ex-ditador imunidade judicial, que o impede de ser processado pelas violações de direitos humanos durante a ditadura.
O sucessor de Pinochet no comando do Exército, general Ricardo Izurieta, enviou ontem sua primeira mensagem às tropas, por meio de comunicado interno, pedindo compreensão, respeito mútuo e institucionalidade democrática. Sem citar Pinochet nenhuma vez, Izurieta agradeceu a todos os militares do Chile por sua nomeação como chefe do Exército.





