Aumentaram ontem as tensões entre autoridades iugoslavas e o tribunal de crimes de guerra da ONU, que está pressionando por uma rápida extradição de Slobodan Milosevic para que ele seja julgado por supostos crimes contra a humanidade cometidos em Kosovo. O ministro da Justiça da Sérvia, Vladan Batic, virou a mesa numa reunião com um enviado do tribunal em Belgrado que levou um mandado de prisão contra Milosevic, insistindo que a corte da ONU tem de indiciar os líderes dos albaneses em Kosovo ‘‘porque crimes foram cometidos por todos’’.
‘‘O tribunal tem de mostrar que não está fazendo justiça seletiva’’, disse Batic, reclamando que até agora, da cúpula política dos Bálcãs, apenas sérvios foram indiciados pela corte.
O tribunal deveria indiciar líderes que ‘‘ordenaram o assassinato de sérvios e tem que exigir a urgente extradição deles’’, acrescentou. ‘‘Esta é a única forma de provar que a justiça, apesar de lenta, é alcançável.’’
Hans Holthuis, que trouxe o mandado de prisão e o indiciamento original para serem encaminhados a Milosevic, ouviu de Batic que os documentos deveriam ser entregues a Momcilo Grubac, o ministro da Justiça federal responsável pelo próprio caso da Iugoslávia contra o ex-presidente. Holthuis planeja reunir-se com Grubac hoje.
‘‘Quero ter certeza de que o indiciamento e o mandado de prisão sejam apresentados ao senhor Milosevic’’, disse Holthuis a repórteres.
A visita de Holthuis sublinhou a determinação do tribunal de julgar Milosevic em Haia por atrocidades supostamente cometidas por suas forças contra albaneses étnicos em Kosovo em 1998 e 1999.
Mas a Iugoslávia quer julgá-lo primeiro no país por acusações de corrupção, abuso de poder e outros crimes supostamente cometidos contra seu próprio povo.

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