São Paulo - A polícia financeira da cidade de Salerno, no sul da Itália, ordenou ontem a prisão do prelado Nunzio Scarano, acusado de lavagem de dinheiro na gestão do Instituto para as Obras da Religião (IOR), o banco do Vaticano.
Ex-responsável pela contabilidade da Administração do Patrimônio da Sede Apostólica, o monsenhor cumpre prisão domiciliar desde junho. Ele é acusado de enviar ilegalmente 20 milhões de euros (R$ 64 milhões) da Suíça para a Itália, em transferências que eram computadas como doações à Igreja Católica.
Além de Scarano, foram ordenadas a prisão do padre Luigi Noli, de Salerno, e de um tabelião. Também foram apreendidos alguns imóveis e bloqueadas contas correntes em bancos italianos que tinham 6 milhões de euros (R$ 19,2 milhões) em depósitos.
Os agentes italianos ainda esperam resposta do Vaticano, onde o monsenhor cumpre prisão domiciliar há sete meses. Ele já cumpria detenção por acusações referentes a irregularidades na gestão e na transparência das contas do Instituto para as Obras da Religião.
O religioso já havia sido suspenso de todos os seus cargos na Santa Sé após a revelação de uma investigação da Promotoria de Salerno em que Scarano era acusado de lavagem de dinheiro por um caso de cheques de origem suspeita que foram justificados como doações, no valor de 580 mil euros (R$ 1,86 milhão).
Os casos envolvendo o monsenhor foram um dos motivos para as suspeitas das autoridades italianas contra o banco do Vaticano, que levaram o papa Francisco a decidir pela reforma da instituição no ano passado.

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