Pecados de dentro são a maior ameaça à igreja, afirma Papa
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Folhapress 
São Paulo - A maior ameaça ao catolicismo não vem de inimigos externos, e sim ''dos pecados de dentro da igreja'', afirmou ontem o papa Bento XVI, na mais direta admissão de culpa da instituição nos escândalos de pedofilia envolvendo padres católicos. Em contraste com a retórica inicial de alguns setores católicos e do próprio Vaticano -de que os escândalos eram parte de uma campanha difamatória externa-, Bento XVI disse que ''a igreja precisa reaprender profundamente a (fazer) penitência'' por seus pecados e ''aceitar a purificação''.
Agregou que ''o perdão não substitui a justiça'' nos casos de abusos sexuais e que não tolerará tais abusos. As declarações foram dadas a jornalistas a bordo do avião papal rumo a Lisboa, Portugal.
Na pior crise do pontificado de Bento XVI, a igreja tem sido alvo de uma série de denúncias de abusos sistemáticos de menores envolvendo padres católicos, em dez países europeus e em EUA e Brasil.
Em três dos casos (dois nos EUA e um na Alemanha), há indícios de que o papa, quando ainda era cardeal, tenha sido omisso na reação a casos de pedofilia de subordinados.
Ontem, o pontífice disse que a igreja sempre sofreu de problemas produzidos por si própria, tendência percebida atualmente ''de uma maneira aterrorizante''.
Críticos, por outro lado, alegam que, apesar das renúncias os sacerdotes não foram diretamente punidos. ''Muitos estão cansados de ouvir sobre os ''comentários fortes' (do papa) e querem ver ações fortes'', disse ontem David Clohessy, diretor de uma associação de vítimas de abusos de padres nos EUA.
Ética nas finanças
Já em Portugal, país de maioria católica e profundamente afetado pela crise econômica, o papa pediu responsabilidade moral e ética ao sistema financeiro mundial.
Portugal está em vias de legalizar o matrimônio entre homossexuais e em 2007 descriminalizou o aborto -fato criticado pelo papa. Também ontem, Bento XVI celebrou uma missa ao ar livre, acompanhada por centenas de milhares de pessoas em Lisboa.


