São Paulo – Os destroços de avião encontrados no oceano Índico, próximo à ilha de Reunião, serão levados para a França, onde será verificado se fazem parte do voo MH370, afirmou ontem o premiê da Malásia, Najib Razak. Uma peça que se assemelha a um pedaço de asa do modelo Boeing 777 foi encontrada ilha de Reunião, na África, a 6.500 quilômetros do local onde o voo da Malaysia Airlines desapareceu há mais de um ano, supostamente perto do Vietnã.
"A localização é consistente com as análises de deslocamento das equipes da Malásia, que apontavam uma rota do sul do oceano Índico para a África", acrescentou Najib. Os destroços encontrados serão levados para a cidade de Toulouse, no sul da França, onde há um escritório da BEA, agência francesa responsável por investigações de acidentes aéreos.
Segundo a Austrália, que participa das operações de resgate do voo MH370, os destroços encontrados anteontem são uma "evidência importante" para as buscas. "É a primeira evidência real de haver uma possibilidade de que uma parte da aeronave tenha sido encontrada", disse o vice-premiê australiano, Warren Truss, cujo país lidera os esforços de busca pelas partes avião. "É muito cedo para fazer um julgamento, mas certamente estamos tratando isso como um evidência importante." Também foram descobertos restos que teoricamente seriam de uma mala de viagem.
Caso a peça seja confirmada como parte do Boeing 777 desaparecido, especialistas tentarão traçar sua rota para estabelecer de onde os destroços podem ter saído, embora tenham advertido que era improvável ajudar na localização final da aeronave para além do vasto leque de oceano na Austrália, que tem sido o foco da busca por meses. "Este destroço estava na água - caso seja do MH370 - por mais de um ano, então pode ter se locomovido para tão longe que não será útil em rastrear precisamente onde a aeronave está", acrescentou Truss.
O desaparecimento em 8 de março de 2014 do Boeing 777 da Malaysia Airlines continua a ser um dos maiores enigmas da história da aviação civil. O avião, que havia partido de Kuala Lumpur com destino a Pequim com 239 pessoas a bordo, desapareceu uma hora após a decolagem e nunca foi encontrado.

FAMILIARES

Familiares das vítimas do boeing se questionavam ontem, tomados pela emoção e ansiedade, se os destroços encontrados pertencem ao avião e se, por fim, o mistério da tragédia será respondido. A descoberta reativou a esperança entre os parentes das vítimas, depois de vários alarmes falsos desde o desaparecimento. Sara Weeks, irmã do passageiro neozelandês Paul Weeks a bordo da aeronave, contou que não se sentiu bem quando soube das primeiras notícias na televisão.
"Não há um dia sequer em que não pense (no que aconteceu). Por um lado tenho esperança, e por outro não. Acredito que enquanto não se sabe, se espera", disse. "Precisamos saber o que aconteceu. Se ficar confirmado que se trata de uma parte do avião, poderemos ao menos passar para a próxima etapa, que se parece bastante com a anterior - o que aconteceu, onde estão os restos do avião e onde está meu irmão", acrescentou.

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