A câmara baixa do Parlamento russo, a Duma, planeja lançar hoje em Moscou uma ofensiva contra a designação de Serguei Kiriyenko como novo primeiro-ministro da Rússia. O Partido Comunista entregará uma petição ao presidente russo, Boris Yeltsin, exigindo a retirada da candidatura de Kiriyenko, que o chefe de Estado apresentou na sexta-feira passada.
Ao mesmo tempo, o Kremlin advertiu a Duma, controlada por comunistas e nacionalistas, para não enfrentar Yeltsin na formação do novo governo. A oposição, porém, reclama o direito de participar na designação do novo chefe de Governo. Após a destituição há oito dias de Viktor Chernomirdin e seu governo, Yeltsin nomeou o ex-ministro de Energia Serguei Kiriyenko como novo primeiro-ministro interino.
A Duma realizará na sexta-feira uma votação sobre a candidatura de Kiriyenko. Se a câmara baixa rejeitar três vezes o candidato de Yeltsin, o presidente pode dissolver o Parlamento e convocar eleições, segundo estabelece a Constituição.
Enquanto isso, Boris Yeltsin confirmou ontem em seus cargos os ministros do Exterior, Yevgueni Primakov, e de Finanças, Mikhail Sadornov, informou a agência de notícias russa Interfax. O porta-voz do Kremlin, Serguei Yastrzhembski, explicou que os decretos serão assinados depois da confirmação do novo chefe de governo russo.
Na Ucrânia, os comunistas e seus aliados de esquerda conquistaram 188 das 450 cadeiras do Parlamento na eleição realizada domingo, ampliando sua representatividade. O Partido Popular Democrático, do atual primeiro-ministro Valery Poustovoitenko, elegeu apenas 32, enquanto candidatos independentes conseguiram 114 lugares.
Analistas políticos prevêem um perigoso confronto entre o Executivo e o Legislativo sobre as reformas econômicas adotadas pelo presidente Leonid Kuchma. Políticos, diplomatas e comentaristas são unânimes em apontar o apoio à esquerda e aos independentes como um protesto contra a situação econômica e a queda de seu padrão de vida.

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