PC quer anistiar Stroessner e Oviedo
PC quer anistiar Stroessner e Oviedo
O governista Raul Cubas Grau venceu o oposicionista Domingo Laino por uma margem de 10 pontos nas eleições de domingo
José Antônio Pedriali
Enviado a Assunção
France Presse
Presidente eleitoRaul Cubas Grau prepara um gabinete de transição que deve influir inclusive na execução do Orçamento deste ano. Ele se mostrou cauteloso ontem sobre indulto a Lino Oviedo, afirmando que está convencido de sua inocência e deve recorrer à Justiça para libertar o generalO Partido Colorado deverá dar início hoje, no Congresso Nacional, à tramitação de uma lei do ponto final para anistiar o ex-ditador Alfredo Stroessner e o general de reserva Lino Oviedo. O anúncio foi feito ontem pelo senador colorado Arnaldo Rojas Sanchez, quando a apuração das eleições de domingo atingia a marca dos 52% dos votos de todo o Paraguai, confirmando a vitória, por uma margem de 10 pontos, do colorado Raul Cubas Grau sobre o liberal Domingo Laino, da Aliança Democrática.
A lei do ponto final é necessária para a reconciliação de todos os paraguaios, justificou o senador Rojas Sanchez, reconhecendo, no entanto, que o regime de Stroessner cometeu injustiças e teve período de luzes e sombras. O senador chamou o ex-ditador de grande presidente. Stroessner governou com mão-de-ferro o Paraguai durante 35 anos (1954-89). Atualmente exilado no Brasil, Stroessner tem contas pendentes com a justiça por delitos de enriquecimento ilícito e violações de direitos humanos.
O atual Congresso não terá tempo para votar a lei, já que seu mandato expira em 30 de junho, e essa tarefa terá de ser delegada a seus futuros integrantes. O senador diz confiar na aprovação na anistia, pois os colorados recuperaram a maioria legislativa, perdida durante o atual governo de Juan Carlos Wasmosy. Os colorados inflingiram também uma derrota acachapante à Aliança Democrática na disputa pelos governos estaduais. Dos 17 estados, 14 - incluindo Alto Paraná, cuja capital é Ciudad del Este - serão governados pelo partido Colorado.
Raul Cubas Grau visitou ontem de manhã Wasmosy no Palácio de Governo ambos concordaram sobre a necessidade de um gabinete de transição que influa inclusive sobre a execução do Orçamento deste ano. O novo governo será instalado em 15 de agosto. Cubas Grau visitou duas vezes no domingo Lino Oviedo em sua cela no 1º Batalhão de Infantaria, e ontem, ao sair do encontro com Wasmosy, adotou um tom mais conciliador em sua promessa de indultar o general.
Estou convencido de que ele (Oviedo) é inocente e vamos recorrer à Justiça para conseguir sua libertação, disse Cubas Grau, que baseou sua campanha na promessa de libertar o general, preso por determinação de um tribunal militar que o sentenciou a 10 anos de prisão por um suposta tentativa de golpe de Estado ocorrida em 10 de abril de 1996.
Cubas Grau esquivou-se de abordar o indulto a Oviedo, mas seu vice, Luis Maria Arga¤a, disse que esta poderia ser uma saída para a situação do general. Outra possibilidade, segundo ele, seria a aprovação de uma anistia pelo Congresso, o que coincide com a intenção do senador Rojas Sanchez de perdoar tanto Oviedo como Stroessner.
Oviedo, militar carismático que tem grande apoio popular, sobretudo das camadas mais pobres da população, está preso há três meses e só pôde ser visitado nas últimas semanas pela esposa, pelos advogados e por Cubas Grau. Wasmosy acena com a possibilidade de tornar mais flexíveis a partir de hoje as visitas a Oviedo.
Stroessner vive em Brasília desde fevereiro de 1989, quando foi deposto, depois de governar desde 1954, por um golpe de Estado. O golpe foi liderado pelo general Andrés Rodrigues, o que sucedeu Stroessner , na presidência até 1993, e pelo então coronel Lino Oviedo, que a partir daí adquiriu uma mística que contagiou a população paraguaia. O governo brasileiro negou o pedido de extradição de Stroessner feito pela Justiça paraguaia.





