Paz só virá como fruto da justiça, diz Lula na ONU
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terça-feira, 21 de setembro de 2004
Das agências 
São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu ontem mudanças na atuação dos organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), para diminuir as desigualdades sociais e garantir a paz duradoura no mundo.
Lula afirmou que o ''caminho da paz'' exige uma nova ordem internacional, que garanta oportunidades reais de progresso econômico e social para todos os países. ''A paz só virá como fruto da justiça''. As afirmações foram feitas durante discurso de abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. ''A situação exige dos povos e de seus líderes um novo centro de responsabilidade individual e coletiva. Se queremos a paz, devemos construí-la. Se queremos eliminar a violência, é preciso remover suas causas profundas, com a mesma tenacidade com que enfrentamos os agentes do ódio'', disse.
O presidente defendeu a reforma do modelo de desenvolvimento global e a existência de instituições internacionais efetivamente democráticas, ''baseadas no multilateralismo, no reconhecimento dos direitos e aspirações de todos os povos''.
''Hoje, em 54 países a renda per capita está mais baixa do que há dez anos. Em 34 países, a expectativa de vida diminuiu; em 14, mais crianças morrem de fome. Na África, 200 milhões de seres humanos estão num cotidiano de fome, doença e desamparo, ao qual o mundo se acostuma anestesiado pela rotina do sofrimento alheio e longínquo.''
Lula disse ainda que a falta de saneamento básico matou mais crianças na década passada do que todos os conflitos armados desde a segunda guerra mundial. ''Da crueldade não nasce o amor. Da fome e da pobreza jamais nascerá a paz'', disse.
O terrorismo e a insegurança mundial também foram tema de destaque no discurso que Lula fez na ONU. ''O necessário combate ao terrorismo não pode ser concebido apenas em termos militares'', afirmou. Ele disse que constata com preocupação que persistem graves problemas de segurança, pondo em risco a estabilidade mundial. ''Não se vislumbra, por exemplo, melhora na situação crítica do Oriente Médio. A comunidade internacional não pode aceitar que a violência proveniente do Estado ou de quaisquer grupos se sobreponha ao diálogo democrático'', afirmou.


