Paz só virá com substituição no exército indonésio
Agência Estado
De São Paulo
Só vai ser possível pacificar Timor Leste se a maior parte dos oficiais e mesmo dos soldados indonésios no território for substituída. É o que afirma o cientista político brasileiro Antonio Jorge Rocha, que trabalhou com a ONU no plebiscito do dia 30.
Rocha, que ficou em Dili durante o mês de agosto, disse que, na prática, não existe diferença entre o Exército e as milícias e que os militares têm negócios em Timor Leste e motivos pessoais para não querer a independência. De acordo com Rocha, professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, ninguém em Dili tem dúvidas quanto à associação entre o Exército e os milicianos.
A associação fica patente também na atitude dos militares diante das ações das milícias. Rocha presenciou o ataque dos milicianos ao escritório do Conselho Nacional de Resistência de Timor Leste (CNRT), dia 29, que deixou oito mortos.
Rocha concorda com a análise de outro cientista político brasileiro que participou da organização do plebiscito, Luís Bitencourt, que disse à AE que o objetivo das milícias depois do plebiscito passou a ser a criação de uma área para os que são contrários à independência de Timor. O plano, que, segundo Rocha tem sido apresentado pelos próprios militares, é anexar a Timor Oeste, sob domínio indonésio, uma faixa de terra na fronteira com o lado leste, da cidade de Liquisa até a de Suaisami.





