O fracasso da cúpula de paz de Camp David poderia servir como uma pausa estratégica para os líderes israelenses e palestinos, incapazes de chegar a um acordo apesar dos esforços do presidente norte-americano Bill Clinton, afirmaram observadores árabes nesta terça-feira.
O líder palestino Yasser Arafat e o primeiro-ministro israelense Ehud Barak encontravam-se sob tanta pressão de seus eleitores que não conseguiram agir decididamente em Camp David, disse Labib Kamhawi, um cientista político jordaniano.
O colapso das negociações anunciado nesta terça-feira ‘‘significa que Arafat foi um negociador tão duro que os israelenses se viram obrigados a partir’’, sugeriu Kamhawi. Os israelenses também considerarão que Barak defendeu seus interesses até o fim, afirmou.
Mas, como decorrência do fiasco da cúpula de paz, a guerra voltou a ser um assunto discutido em Israel e nos territórios ocupados pelos israelenses desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967 – Jerusalém Oriental, Faixa de Gaza e Cisjordânia.
Tão logo foi anunciado o fim das negociações, centenas de palestinos saíram às ruas de Gaza pedindo uma nova intifada – o levante dos palestinos contra a ocupação israelense, encerrado com os acordos de paz de Oslo, em 1993.
O líder do grupo islâmico Hamas, xeque Ahmed Yassin, exortou o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, a voltar ao ‘‘caminho da resistência e da jihad (guerra santa)’’.
O Hamas opôs-se aos acordos de Oslo e aos que o sucederam. ‘‘Eu renovo meu pedido de que se dê ao Hamas cinco anos para levar adiante a jihad e a resistência. Em cinco anos, o Hamas poderá alcançar a gradual libertação de toda a Palestina’’, disse Yasmin, que não reconhece o direito de existência de Israel.
Pouco antes do anúncio do fim da cúpula, o novo líder da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), Abu Ali Mustafa, previu o seu fracasso e disse que uma nova onda de violência tomaria conta da região. Mustafa disse que aceitaria a paz com Israel desde que tivesse por premissa o cumprimento das resoluções da ONU, que prevêem a retirada de todos os territórios ocupados em 1967.
O chefe do Estado-Maior israelense, Saul Mofaz, disse à Comissão Parlamentar de Relações Exteriores e Defesa que o Exército está preparado para um eventual ‘‘confronto’’ com os palestinos nos territórios ocupados.
Temendo que palestinos e israelenses cheguem a um acordo que implique na divisão de Jerusalém Oriental, os patriarcas das três principais igrejas cristãs representadas na cidade reuniram-se ontem com o ministro da Justiça de Israel, Yossi Beilin, para discutir a questão.
‘‘Jerusalém deveria ser compartilhada, não dividida’’, afirmou à imprensa o monsenhor Michel Sabba, patriarca da Igreja Católica. O Vaticano tem pressionado para que os lugares sagrados de Jerusalém sejam administrados internacionalmente.

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