Paulo Coelho anuncia o 'neocomunismo'
Jordi Zamora
France Presse
De Davos, Suíça
O neoliberalismo dará passagem a uma nova forma de comunismo, na qual a base não será o dinheiro mas o intercâmbio de comunicação, diz o brasileiro Paulo Coelho, um dos autores mais lidos no mundo e participante do Fórum Econômico de Davos (Suíça).
Dentro de poucos anos, tudo isto não vai funcionar. Vamos ver grandes cracks. A nova economia está muito mais perto do novo comunismo do que do capitalismo tradicional, explicou Coelho num encontro domingo com a imprensa ibero-americana.
Coelho é um frequentador de Davos devido ao espetacular êxito de seus livros como O Alquimista (1988), traduzido para 44 línguas.
Grande fã da Internet, ele coincide em grande medida com as previsões dos gurus de um novo e definitivo ciclo de prosperidade.
Mas suas conclusões são diferentes.
Em vez do triunfo total do capitalismo, como previu com a queda do comunismo o historiador Francis Fukuyama, Paulo Coelho vê ao contrário uma superação do atual sistema.
O empresário como tal está morto, já não existe. Não compreende que cada um de seus consumidores é um eleitor, e vai escolher, porque há ofertas de todos os tipos, explicou Coelho.
Não é o lucro a função básica, mas o contato, assinalou Coelho.
O escritor, a quem o presidente americano Bill Clinton declarou em Davos sua admiração pelo O Alquimista, acha que o grande equívoco histórico foi a previsão do escritor inglês George Orwell, que anunciou uma sociedade completamente uniformizada.
Caminhamos para uma visão totalmente distinta. Não somos passivos. A competição é tão fechada que somos nós que decidimos, não eles, afirma convicto Coelho.
Para o autor, os incidentes de sábado em Davos, quando um grupo de manifestantes tentou chegar ao Centro de Congressos, foram uma bobagem.
Minha geração, a geração hippie, cometeu o mesmo erro, isto é, muito romantismo e nenhuma prática, assinalou.
Minha geração foi derrotada, não perdeu a guerra. Foi o consumismo que acabou com ela. Não soube administrar seus ideais, resumiu.
Indagado sobre qual seria a opção, Paulo Coelho lembrou uma frase de Jorge Castañeda: Seja um louco mas se comporte como uma pessoa normal.





