São Paulo - Nivaldo Papeti, 47 anos, o outro sobrevivente brasileiro do acidente com o Boeing 737-200 da companhia estatal peruana Tans, que matou 40 pessoas na terça-feira passada, disse que atravessou pântano, com água na altura do peito, e chuva de granizo após escapar do acidente.
Papeti conta que o avião estava em procedimento de descida no momento da queda. ''Ele já estava pousando, a mais ou menos 800 metros do solo.'' Segundo ele, no momento em que caiu, o trem de pouso já havia sido acionado e faltavam apenas dois minutos para a aterrissagem no aeroporto de Pucallpa.
Momentos antes do acidente, segundo o brasileiro, a tripulação avisou aos passageiros que a aeronave entraria em uma zona de turbulência. ''Entramos em um vendaval tão forte que o avião se descontrolou. Já enfrentei muitas turbulências durante vôos na minha vida, mas nunca havia visto algo dessa proporção. O avião ficou entregue ao vento'', afirma.
O brasileiro que é de Piracicaba (SP) e ficou um mês no Peru a trabalho diz que tudo foi muito rápido e não houve tempo nem para que os passageiros entrassem em pânico. ''Entre a turbulência e a queda, foram cerca de 10 ou 15 segundos. Não houve gritos'', diz.
De acordo com Papeti, até aquele momento, o vôo havia sido tranquilo. Após a queda, segundo o brasileiro, houve barulho de vidros se quebrando e de objetos caindo. A parte dianteira do Boeing 737-200 começou a pegar fogo. Papeti diz acreditar que só se salvou porque estava na parte traseira da aeronave onde, segundo ele, estava a maioria dos sobreviventes.
''O avião se partiu em dois e a parte traseira, que ficou intacta, passou por cima da dianteira'', afirma. ''Eu estava no banco 19. Algumas pessoas que estavam no meio se salvaram, mas foram lançadas para fora do avião.'' Papeti conseguiu sair do Boeing que já estava quase todo em chamas pela porta traseira, que se abriu devido ao impacto da queda.

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