São Paulo - O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, defendeu ontem o diálogo com o ditador sírio, Bashar al Assad, e afirmou que o Brasil monitora de perto a crise no país. ''Em situações como essa, temos que analisar alternativas. Nos últimos meses, a posição da comunidade internacional evoluiu bastante'', afirmou ele, durante sabatina promovida pela Folha de S.Paulo em parceria com o UOL, na capital paulista.
Patriota admitiu que a situação ainda não é satisfatória. ''Há extremismo, violência, mas consideramos que o diálogo é fundamental. Muitos líderes que pediram a saída imediata de Assad, hoje, de maneira mais realista, acham que um governo democrático exigem uma transição'', acrescentou.
Questionado se o Brasil acredita que a solução para a Síria incluiria Assad, o ministro apontou os riscos de excluir o ditador sírio das negociações. ''Algum tipo de diálogo é fundamental, pois Assad tem armas de destruição em massa. Um conflito seria catastrófico'', afirmou.
Patriota disse ainda que o Brasil é contra o envio de armas à oposição síria, pois ''militarizaria (ainda) mais o conflito''. ''Como Annan disse, a ultima coisa que se espera é militarizar o conflito. O que queremos é interromper o ciclo de violência, dar espaço ao diálogo. A melhor aposta é a do plano de Annan. Esperamos que, com os cerca de 300 observadores militares, a situação possa se estabilizar.''
Para o ministro, ''compete ao Conselho de Segurança da ONU, que autorizou o envio de 300 observadores, (verificar) se o plano funciona ou se alguma outra medida deve ser tomada''. ''Acho que o plano é uma aposta na qual ainda vale a pena acreditar, por enquanto. Não somos membros permanentes mas continuaremos monitorando de perto'', disse ele.

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