São Paulo - Em telefonema ao colega boliviano, David Choquehuanca, na tarde de ontem, o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, condenou a "atitude arrogante" dos países europeus que bloquearam o espaço aéreo para o avião do presidente boliviano, Evo Morales.
Após mais de 15 horas de silêncio do governo brasileiro - período em que os presidentes da Argentina, Venezuela, Equador e Uruguai se manifestaram de forma bastante dura -, o Twitter do Itamaraty publicou que Patriota expressou seu "repúdio" e ficou surpreso com a não autorização de sobrevoo, por não estar em consonância "com práticas internacionais consagradas".
A Unasul emitiu uma nota em que condena a "atitude perigosa" assumida pelos europeus ao cancelar a permissão de sobrevoo.
"A Secretaria-Geral da Unasul considera estranho que isso aconteça num momento em que todos os governos da União Europeia manifestaram preocupação com o alcance do programa de espionagem conduzido pelo governo dos EUA sobre sua população", diz a nota.

Humilhantes
Em seu Twitter, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, considerou humilhantes as restrições de voo a Morales. "Definitivamente todos estão loucos. Um chefe de Estado e seu avião têm imunidade total. Não pode haver esse grau de impunidade", afirmou, em sua conta no Twitter.
Ela disse ter conversado por telefone com Evo - a quem ofereceu assistência legal- e com os presidentes do Uruguai, José (Pepe) Mujica, e do Equador, Rafael Correa. "[Pepe] está indignado. Tem razão. Isso é tudo muito humilhante", disse Cristina.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que esteve com Evo em Moscou, ratificou sua "solidariedade" e disse que, da Venezuela, seu governo "responderá com dignidade a essa agressão perigosa, desproporcionada e inaceitável".
"Estou em contato com Evo, violaram todas as imunidades internacionais que protegem os chefes de Estado por causa da obsessão imperial", disse Maduro em sua conta do Twitter. Correa, também em seu Twitter, classificou a situação como "extremamente grave" e acusou os países europeus de "pisotearem o Direito Internacional".

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