Patriarca russo recusa reunião com João Paulo II
Agência Folha e France Presse
De Nova Délhi e Moscou
A campanha ecumênica e inter-religiosa liderada por João Paulo II sofreu mais um revés nesta semana. Após os protestos hindus na Índia, anteontem, sua tentativa de aproximação com a Igreja Ortodoxa enfrenta novo obstáculo. A Igreja Católica promove iniciativas em prol da unidade cristã na iminência do Grande Jubileu do ano 2000. Mas o patriarca ortodoxo russo, Alexis II, rechaçou um encontro com o papa.
A Igreja Ortodoxa, cuja liturgia normalmente recorre a mais ritos que a católica, não reconhece a primazia do papa. Seu líder acusa o Vaticano de proselitismo num espaço naturalmente ortodoxo: Rússia, Ucrânia e Bielorussia.
Um dos principais entraves para a reaproximação se refere à conturbada relação entre ortodoxos e uniatas, que disputam paróquias na Ucrânia desde 1991. Após a independência, nesse ano, as autoridades devolveram parte das propriedades aos uniatas, cristãos de rito ortodoxo que reconhecem a autoridade do papa. Muitas igrejas uniatas tinham sido entregues à força para a Igreja Ortodoxa Russa por Josef Stálin na década de 40.
O patriarca russo havia sinalizado, no início do ano, estar aberto ao diálogo ecumênico. A partir de março, no entanto, o ataque da Otan (aliança militar ocidental) contra a Iugoslávia, país de maioria cristã ortodoxa, aumentou o distanciamento entre essas igrejas.
Após o fim do comunismo, a Rússia vem vivenciando um renascimento do fervor religioso. A passagem do papa pela Geórgia (com maioria ortodoxa), após a Índia, a partir de amanhã, insere-se nesse esforço conciliador. Boa parte da liturgia será em georgiano. Russo, armênio, azerbaijano e siríaco, além de latim, comporão ainda o mosaico linguístico, dada a diversidade de comunidades presentes.
Os dirigentes indianos garantiram ao papa João Paulo II que a tolerância religiosa impera na Índia, no início, ontem, da visita oficial do Papa a Nova Delhi, cercada de fortes medidas de segurança após manifestações de grupos hindús contra o proselitismo cristão.
Em um dia ensolarado, João Paulo II foi recebido pelo presidente K.R. Narayanan e o primeiro-ministro nacionalista, Atal Behari Vajpayee, no palácio presidencial (ao centro). Esta é a segunda visita do papa à Índia, país de imensa maioria hindú.
O Papa chegou na noite desta sexta-feira à capital indiana, onde permanecerá até a manhã desta segunda-feira e publicou ontem o documento Ecclesia in Ásia, sobre a missão da Igreja Católica neste continente.
A minoria cristã da Índia (24 milhões de pessoas de uma população total de um bilhão) sofre há anos com uma série de atos violentos. No entanto, o assunto não foi abordado durante as entrevistas.
O Papa depositou ontem um ramo de flores no memorial Mahatma Gandhi, seguidor da não-violência e herói da independência indiana. João Paulo II, que visitou a Índia pela primeira vez em 1986, viajará na manhã desta segunda-feira para a Geórgia, onde dará continuidade à 89º viagem de seu pontificado.





