Pastrana tenta afastar temor do plano
O presidente colombiano Andrés Pastrana, em visita ao Equador, tentou ontem afastar o temor de que o Plano Colômbia destinado a combater o tráfico de drogas através de uma ofensiva militar apoiada pelos EUA vai criar instabilidade nos países vizinhos, no mesmo dia em que líderes da guerrilha colombiana advertiram que o plano poderá criar uma onda de refugiados.
Em um ato simbólico, Pastrana e o presidente equatoriano Gustavo Noboa inauguraram uma ponte de concreto de 160 metros de comprimento que une os dois países, separados pelo rio fronteiriço San Miguel, e que exigiu um investimento conjunto superior a US$ 3 milhões durante os quatro anos de sua construção.
Como não havia sido inaugurada, a ponte não tinha postos de controle de imigração. Colombianos e equatorianos cruzavam o rio em canoas motorizadas, sob pouco ou nenhum policiamento, tornando a região um corredor de tráfico de armas.
Ontem pela manhã, num posto fronteiriço a 2 km da ponte, militares interceptaram um caminhão que transportava granadas, lança-foguetes e dinamite, informou a televisão equatoriana, fato que aparentemente não indicava maiores riscos para a presença de Noboa e Pastrana na região.
No entanto, há fortes indícios de que, do lado colombiano do Rio San Miguel, foram travados nos últimos dias intensos combates entre rebeldes esquerdistas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e paramilitares direitistas.
A fronteira ontem visitada por Pastrana fica nas proximidades do maior centro de produção de cocaína do país. Rebeldes e paramilitares lutam pelo controle da zona que rende milhões de dólares em impostos cobrados dos produtores de coca.
A Força Aérea Colombiana abateu, em menos de um mês, três pequenos aviões, supostamente brasileiros, que invadiram seu espaço aéreo sem autorização. Os aviões, destruídos por caças colombianos, poderiam estar sendo usados no contrabando de armas para as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que pagam em cocaína.
Os aviões abatidos estariam sendo usados no tráfico de drogas e armas no eixo entre Brasil, Colômbia e Surimane. Eles decolam do território brasileiro, de pequenas pistas do meio da selva amazônica para regiões de laboratórios de produção e refino de cocaína, na Colômbia. De lá, seguem com a droga para o Surimane e na volta trazem armas para as Farc.





