O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana disse ontem que enquanto estiver no cargo ‘‘não haverá interferência norte-americana e nem de outro Estado’’ em seu país. Segundo ele, ‘‘não há o que temer’’ em relação ao Plano Colômbia. Mas cobrou a ajuda dos países vizinhos no combate ao narcotráfico para evitar problemas nas fronteiras.
O Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico, contou com a ajuda financeira do governo dos Estados Unidos e terá suas ações intensificadas a partir de janeiro. O governo brasileiro manifestou preocupação em relação ao plano e avisou que não permitirá a utilização do território nacional como base militar. O plano também recebeu críticas ferrenhas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
Senadores do PT encaminharam ontem um documento ao governo brasileiro com sugestões sobre a atuação do País na questão do narcotráfico na Colômbia. O documento foi entregue ao embaixador Ivan Canabrava, da subsecretaria de Assuntos Políticos do Palácio do Itamaraty. Canabrava afirmou aos parlamentares que o documento será entregue aos dirigentes que estão em Brasília para a Reunião dos Presidentes da América do Sul (ver matéria na página 4).
De acordo com a porta-voz do grupo de parlamentares, a líder do PT no Senado, senadora Heloísa Helena (PT-AL), o embaixador afirmou que alguns dos cinco pontos da resolução são similares ao pensamento do governo brasileiro sobre o assunto. O documento, de acordo com Heloísa, foi elaborado durante encontro do PT em julho, em São Paulo.
Os cinco pontos do documento são: apoiar a discussão de saídas diferentes à guerra para o conflito social e armado na Colômbia e reiterar a disposição para colaborar no que seja possível; rechaçar a ingerência norte-americana nos assuntos internos do País; saudar a busca de convergência política que as organizações sociais populares e de esquerda vêm conseguindo; solidarizar-se com a manifestação cívica nacional, realizada no dia 3 de agosto, na Colômbia; e participar na campanha de denúncia e repúdio ao Plano Colômbia, como ‘‘plano de guerra’’, que irá ocorrer na segunda quinzena de setembro.
De acordo com Pastrana, o Plano Colômbia foi ‘‘desenvolvido e será implementado’’ por colombianos. Ele afirma ter dito isso ao presidente norte-americano, Bill Clinton, e que não aceitaria interferência em seu governo. ‘‘Não é um plano americano, tampouco um plano militar’’, afirmou. ‘‘Vamos lutar pela paz e não pela guerra.’’
O presidente colombiano argumentou que dos US$ 7,5 bilhões previstos no plano, 75% serão utilizados em investimentos sociais e ‘‘só’’ 25% para a compra de equipamentos militares. Pastrana disse ser preciso ‘‘uma solução política e negociada para os conflitos internos’’ na Colômbia. O presidente contou ter pedido ajuda financeira não só aos Estados Unidos, mas também a países europeus e ao Japão.
Pastrana disse que o deslocamento de colombianos para países vizinhos é um problema antigo e não provocado pelo anúncio do Plano Colômbia. No caso da Venezuela, país com maiores problemas neste sentido até agora, o deslocamento ocorreu ‘‘por ataques da guerrilha, ou de grupos paramilitares’’.

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