Pastrana faz acordos para reforçar plano
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terça-feira, 05 de setembro de 2000
Associated Press De Bogotá 
O presidente Andrés Pastrana anunciou ontem acordos bilaterais para fortalecer o Plano Colômbia contra o narcotráfico e evitar repercussões negativas nos países vizinhos da Colômbia.
Vamos desenvolver programas binacionais, principalmente onde temos plantações de papoula e coca, geralmente zonas esquecidas onde a presença do Estado não existe, declarou Pastrana à cadeia de rádio Caracol.
Ele acrescentou que, durante a reunião dos presidentes sul-americanos na semana passada no Brasil, combinou com seus colegas Hugo Chávez, da Venezuela, e Gustavo Noboa, do Equador, desenvolver programas conjuntos em zonas de fronteira onde há plantações que são fonte de narcóticos.
Vamos impulsionar, com eles, programas que vão permitir-nos em boa parte combater e erradicar o problema do narcotráfico nessas zonas, disse o presidente colombiano.
O Plano Colômbia, que em sua fase inicial tem a contribuição de US$ 1,3 bilhão dos Estados Unidos, começará com a erradicação de 80 mil hectares de plantação de coca na zona do Putumayo, que faz fronteira com o Equador.
Na Serrania do Perijá, que assinala um trecho da fronteira com a Venezuela, também há vastos cultivos de coca e papoula, cuja erradicação será feita numa segunda fase do Plano Colômbia.
Pastrana disse que, na reunião mantida em Brasília com seus 11 colegas sul-americanos, explicou-lhes que o plano não é um programa militarista (para combater a guerrilha), pois 75% de seu orçamento se destina a investimentos sociais.
O plano, a ser executado nos próximos cinco anos, prevê investimentos de 7,5 bilhões de dólares, US$ 4 bilhões dos quais cabem ao governo colombiano, 1,3 bilhão aos EUA e o restante, à Europa e ao Japão.
Na mesma entrevista à cadeia Caracol, Pastrana afirmou que continua a confusão em torno da denúncia feita por seu colega peruano Alberto Fujimori sobre a infiltração de armas para a guerrilha colombiana através da fronteira conjunta. A verdade é que temos dúvidas, disse o presidente na entrevista antes de partir para Nova York, onde participará da Cúpula do Milênio, das Nações Unidas. Pastrana garantiu que Fujimori lhe exibiu uma série de documentos em Brasília, mas que o assunto não está bem claro.
Duas semanas atrás, o governo peruano fez a denúncia de que o movimento guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia infiltrou 10 mil fuzis através de território do Peru, afirmando que as armas foram compradas de forma irregular na Jordânia. Mas logo a informação foi desmentida em Amã, a capital jordaniana, e até nos Estados Unidos, pelo Departamento de Estado, com base em informes de sua própria espionagem.
O governo jordaniano foi muito claro, essa foi uma venda de governo para governo, assegurou Pastrana. Acrescentou que um comunicado oficial procedente da Jordânia afirma que os recursos resultantes da venda do armamento, cerca de US$ 500 mil, estão previstos no orçamento federal desse país. As autoridades peruanas asseguraram ter detido os três cabeças do contrabando de armas, enquanto prosseguem com as investigações para localizar o paradeiro de todos os envolvidos.
As Farc desmentiram o anúncio feito pelo presidente Fujimori e garantiram tratar-se de uma armação para desviar a atenção dos peruanos dos problemas que os afligem.


