Nova York - Pelo menos 100 mil americanos protestaram ontem nas ruas de Nova York contra a política do presidente George W. Bush, durante uma passeata pacífica, às vésperas da convenção do partido republicano que confirmará Bush como candidato à reeleição. Segundo os organizadores, o número foi bem maior - 400 mil participantes; um número difícil de ser confirmado, por enquanto. O que se sabe é que 250 mil pessoas foram convidadas para participarem do encontro, provavelmente o mais importante de uma semana onde estão previstos muitos outros. ''Reunimos uma multidão para dizer não às políticas de Bush'', explicou Bill Dobbs, porta-voz do grupo United for Peace and Justice (UPJ) que organizou o evento.
Diversas personalidades se somaram à passeata, entre elas o reverendo Jesse Jackson e o cineasta Michael Moore, que tomaram a palavra através de alto-falantes. ''Vamos reservar uma boa acolhida aos republicanos porque sabemos que estão um pouco deprimidos: para eles, o fim está próximo'', proclamou o polêmico Michael, com seu boné vermelho, em meio aos aplausos da multidão. ''É preciso dirigir-lhes um sorriso gentil e fazer um pequeno sinal com a mão'', ironizou.
A passeata redobrou as palavras de ordem contra Bush ao passar diante do Madison Square Garden, que se transformará a partir de hoje em quartel-general dos republicanos. Muitos cartazes faziam lembrar as manifestações pacíficas do inverno passado: ''Traga os soldados de volta à casa'' ou ''Nenhum sangue pelo petróleo''. O ''Iraque é a palavra em árabe que quer dizer Vietnã'', dizia um outro, ao lado de um cartaz com o slogan dos anos 60, ao gosto do dia: ''Pare de se queixar e comece a revolução''.
''Esta eleição é muito importante e é preciso que nos manifestemos'', explicou Kerry Jones, um funcionário municipal de 52 anos, vindo de Ohio, um Estado onde as eleições se prenunciam muito disputadas. ''Temos 45 milhões de pessoas sem nenhuma cobertura social, o que é um ato criminoso'', acrescentou.
Barbara Cobran, médica de 62 anos, num vestido longo branco, jóias e chapéu, resumiu a passeata: ''somos contra a guerra e contra a perda de nossas liberdades civis. O governo Bush não faz senão aumentar o terrorismo e a cólera no mundo''.
Os 2.509 delegados e 2.344 suplentes da convenção republicana se instalavam durante este tempo em seus hotéis, preparando-se com entusiasmo para lançar sua convenção de quatro dias, que será encerrada na noite de quinta-feira pelo atual presidente.
Bush, numa entrevista que será divulgada nesta segunda-feira na revista Time, falou sobre a guerra que lançou contra o terrorismo como ''uma luta ideológica a longo prazo'', estimando: ''eu estou fazendo História''. A decisão de invadir o Iraque e de derrubar o regime de Saddam Hussein era ''a boa decisão'', repetiu mais uma vez.
O ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, tomou a defesa do presidente. Ele ''soube nos ajudar a ultrapassar os dias, provavelmente os mais difíceis de nossa história, e nos manteve concentrados em seu objetivo de destruir o terrorismo em todos os lugares do mundo'', declarou à rede NBC.

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