Passageiros enfrentaram sequestradores
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de setembro de 2001
Léon Bruneau<BR>De Washington<BR>France Presse 
A bordo do vôo 93 da United Airlines que aparentemente teria Washington por alvo, mas que caiu na Pensilvânia (leste dos Estados Unidos) foram vividas cenas de caos, incerteza e heroísmo. ''Estão preparados?'', perguntou Todd Beamer, de 32 anos, a um grupo de homens na cauda do avião sequestrado por terroristas. ''Então, vamos''. Foram as últimas palavras transmitidas por uma operadora de telecomunicações através de um aparelho GTE. A conversa de 15 minutos com Beamer do avião foram relatadas por Lisa Beamer, mulher do passageiro, ao jornal Pittsburgh Post-Gazette.
A versão exata do que puderam fazer ficará enterrada para sempre entre os escombros. Essa conversa assim como outras entre os ocupantes do avião que tiveram acesso a telefones celulares ou GTE e suas famílias, mostram homens a maioria dos ocupantes prontos para atos desesperados e heróicos para evitar uma nova tragédia.
Nesse momento, alguns passageiros tomaram conhecimento dos aviões lançados contra as torres gêmeas em Nova York. Segundo os depoimentos e as autoridades americanas, os terroristas que estavam no vôo 93 que deixava o aeroporto de Newark (Nova Jersey, nordeste) com destino a San Francisco, queriam fazer que explodisse em Washington. Mas os passageiros os enfrentaram, impedindo que cumprissem seus propósitos, forçando a queda do aparelho antes de chegar à capital federal. Não houve sobreviventes.
O que não se sabia era que o presidente George W. Bush havia dado ordem de derrubar o avião se o piloto se negasse a desviar sua trajetória da capital. Segundo funcionários do governo, o avião, com efeito, poderia ter o Capitólio como alvo, ou a Casa Branca, confirmou domingo o vice-presidente, Dick Cheney.
O Boeing 757 foi o quarto e último avião a cair sobre a costa leste, na série de atentados sofridos pelos Estados Unidos no dia 11 de setembro. No total, 44 pessoas morreram nesse avião. O aparelho caiu em Johnston, perto de Pittsburgh, Estado da Pensilvânia, a 400 km da capital.
Além de Beamer, pelo três outros homens lutaram com os terroristas: Tom Burnett, de 38 anos, Jeremy Glick, de 31, e Mark Bingham, também de 31. Pelo menos um dos passageiros foi assassinado a facadas e os dois pilotos puderam ter sido feridos, informou Beamer à operadora Lisa Jefferson de Chicago às 09H45 locais, segundo a mulher de Beamer.


