Páscoa faz Arafat ligar para Sharon
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sábado, 07 de abril de 2001
France PresseDe Jerusalém 
O presidente da Autoridade Palestina Yasser Arafat ligou para o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon para felicitá-lo por ocasião da Páscoa judia, anunciou ontem a presidência do Conselho.
Esta é a segunda entrevista telefônica, em dois meses, entre Sharon e Arafat. O presidente palestino já havia ligado para Sharon depois de sua vitória eleitoral em 6 de fevereiro passado.
Arafat também telefonou para o chefe da diplomacia israelense, Shimon Peres, também por ocasião da Páscoa (Pessah), que começou na noite de ontem, disseram fontes oficiais.
Estas chamadas telefônicas acontecem quando a violência prossegue entre israelenses e palestinos nos territórios ocupados. Desde o começo da Intifada, no final de setembro passado, 469 pessoas morreram, em sua maioria palestinos.
Apesar dos telefonemas diplomáticos, a direção palestina denunciou ontem a retomada da colonização israelense anunciada pelo governo de Ariel Sharon e prometeu continuar com sua luta contra Israel, enquanto no terreno prosseguem a violência entre ambas as partes.
Ao término de uma reunião presidida pelo líder da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, em Ramallah, os membros do gabinete e do comitê executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) parabenizaram a resolução da Comissão de Direitos Humanos da ONU, que reafirmava o direito dos palestinos à autodeterminação.
Essa resolução internacional é importante neste momento e mostra que a comunidade internacional se dá conta do sofrimento do povo palestino devido à repressão israelense, enfatizaram em um comunicado difundido pela agência WAFA.
Além disso, denunciaram o anúncio feito na quinta-feira passada, por Israel, sobre a publicação de convocações para a construção de 708 moradias em duas colônias da Cisjordânia. Essa medida foi denunciada também pelos Estados Unidos e a França.
A colonização é a forma mais grave de agressão contra o povo palestino. Continuaremos defendendo nossas terras e nossa existência frente à ocupação e à colonização israelenses, que são um câncer, afirmaram os membros da direção palestina.
Aludindo especialmente aos Estados Unidos, os palestinos chamaram os membros da comunidade internacional, que consideram a colonização uma medida ilegal e provocadora e um obstáculo para a paz a atuar dentro do Conselho de Segurança (da ONU) para assegurar uma proteção ao povo palestino.
A direção palestina denunciou também a política do governo israelense de Ariel Sharon, que mantém sitiadas nossas cidades, multiplica as agressões e intensifica sua campanha para construir ainda mais colônias.
O comunicado destaca que a reunião foi celebrada apesar do exército israelense proibir vários membros da direção de irem de Gaza para Ramallah (Cisjordânia).
A reunião teve lugar depois de um dia de intensa violência, no qual mais de 40 palestinos ficaram feridos em enfrentamentos com o exército israelense. Durante a noite, um membro da Força 17, a guarda pessoal de Arafat, foi ferido em um tiroteio com soldados israelenses que atacaram um posto desta força em Gaza, bombardeando várias vezes, segundo testemunhas e fontes médicas. O ferido se encontra em estado grave.


