São Paulo - O Papa Bento XVI refletiu sobre o sofrimento da humanidade através dos séculos enquanto fazia ontem a procissão da Via Crucis no Coliseu, em Roma.
No ano passado, o então cardeal Jozeph Ratzinger presidiu as orações e meditações da Sexta-Feira da Paixão no lugar do antecessor, o Papa João Paulo II, que estava enfermo e incapacitado para assistir às importantes celebrações pela primeira vez em seu pontificado. O Sumo Pontífice polonês, que apareceu em vídeo para as cerimônias, morreu uma semana depois.
Bento XVI comparou o sofrimento de Jesus na crucificação à de toda a humanidade ao longo da história, uma história em que os bons são humilhados, os mansos, agredidos, os honestos, esmagados, e os puros de coração, continuamente ridicularizados.
Bento XVI, que completa 79 anos no domingo de Páscoa, moveu-se rapidamente pelas ruínas do Coliseu segurando uma cruz fina, de madeira escura, e a entregou ao cardeal Camillo Ruini, vigário de Roma.
''No espelho da cruz nós vemos todo o sofrimento da humanidade hoje. Nós vemos o sofrimento de bebês abandonados, as ameaças à família, a divisão do mundo, do orgulho, dos ricos, da miséria de quem sofre de fome e de sede'', disse Bento XVI aos milhares de peregrinos e turistas que acompanhavam a celebração segurando velas.
O Papa conclamou os fiéis a colocarem limites para o mal no mundo.
Milhares de fiéis acompanharam a Via Crucis, entre eles muitos jovens, religiosos e turistas que rezam e caminham com tochas nas mãos ao redor do monumento romano.
Em Jerusalém, milhares de peregrinos lotaram as ruas, percorrendo novamente o caminho que Jesus fez até a crucificação. A procissão terminou na igreja do Santo Sepulcro, que marca o lugar onde Cristo foi crucificado.
Católicos do mundo inteiro realizam rituais para marcar a Sexta-Feira Santa. Nas Filipinas, pelo menos sete devotos foram crucificados durante a encenação anual das últimas horas de Jesus Cristo, ritual ao qual os líderes religiosos do país se opõem mas que persiste como uma das mais esperadas atrações de verão da vila de San Pedro Cutud, que fica a 70 quilômetros da capital, Manila.

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