O apoio político ao governo e, consequentemente, a Domingo Cavallo, terceiro ministro de Economia em 15 meses de governo da Aliança, continua pendente e será ainda o principal componente da crise argentina, disse à Agência Estado o economista Carlos Pérez, diretor executivo da Fundação Capital, um dos principais escritórios de consultoria do país. ‘‘Além disso, as dúvidas do presidente Fernando De la Rúa, características de seu governo, vão ainda afetar a situação conjuntural da Argentina’’, disse o economista.
Embora a presença de Cavallo no governo consiga atenuar os efeitos da renúncia de Ricardo López Murphy e da inoperância de De la Rúa, o economista reafirmou que a questão política ainda está totalmente aberta. ‘‘Apesar de Cavallo ter um diagnóstico mais amplo sobre a situação argentina e de ter a favor dele o sucesso entre 1991 e 1996 e o bom relacionamento com as províncias, os problemas da Argentina hoje se resumem apenas a uma questão: apoio político’’, disse o economista.
Os deputados e senadores do Partido Justicialista (peronista) ligados ao governador de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, cuja ambição é chegar à presidência em 2003, declararam que não vão conceder os poderes especiais reivindicados por Cavallo. Por isso, a indicação do ex-ministro de Carlos Menem para o Ministério de Economia resolve algumas questões da crise apenas no curto prazo. ‘‘A ratificação da conversibilidade e a certeza de que ele não vai renegociar a dívida argentina, afastando, com isso, um eventual default do país, tranquiliza os principais agentes econômicos no curto prazo. Mas, depois?’’, indaga o economista.
Cavallo quer reativar a economia pelo lado oposto ao plano de Ricardo López Murphy, que se sequer chegou a entrar em vigor. O novo comandante da economia quer reduzir em US$ 3 bilhões o déficit fiscal este ano com o aumento da arrecadação e não tanto com o corte nos gastos públicos. Para perseguir sonegadores, corruptos e contrabandistas, como Cavallo disse, no entanto, precisará de poderes especiais que alguns políticos não estão dispostos a conceder.
Mas a recessão da economia argentina, que se arrasta há mais de 34 meses, não será resolvida apenas com o acerto das contas do governo. ‘‘Cavallo sabe disso’’, afirmou Pérez.

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