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France PressBenmansour anuncia resultado
Os argelinos, abatidos por anos de violência e perdidas esperanças de paz, viram ontem o partido dos aliados do presidente conquistar a maioria dos postos nas primeiras eleições locais em sete anos. Vários partidos legais de oposição denunciaram irregularidades e anunciaram que o resultado das eleições de quinta-feira anunciado pelo Ministério do Interior para prefeituras e províncias do país era fraudulento.
O resultado era amplamente esperado. Ele reflete o domínio da União Nacional Democrática (RND) obtido nas eleições parlamentares de junho, apenas dois meses depois de o partido ter sido formado pelos principais apoiadores políticos do presidente Liamine Zeroual. A Frente Islâmica de Salvação (FIS), boicotou o pleito, mas o comparecimento foi de 66% segundo o governo.
Entre os argelinos, os números anunciados pelo ministro do Interior, Mustapha Benmansour, trouxeram pouca expectativa de mudança ou do fim da violência que oficiais atribuem a rebeldes fundamentalistas islâmicos. ‘‘Você não pode ter uma verdadeira democracia quando você tem eleições em meio a um clima de terror e violência’’, afirmou um analista argelino à Reuters.
Ele referia-se a cerca de seis anos de massacres, deflagrados pelo cancelamento em janeiro de 1992 de uma eleição geral nas quais os fundamentalistas haviam conquistado uma ampla vantagem no primeiro turno. Cerca de 65 mil pessoas foram mortas desde então. O país realizou três votações desde 1995 - para eleger um presidente, um parlamento e agora autoridades locais.
A RND, de Zeroual, foi a grande vencedora das eleições de quinta-feira, obtendo 55% dos votos. A RND preencheu mais de 8 mil dos 15 mil lugares em jogo nos conselhos municipais e nas assembléias provinciais. As duas outras agremiações mais votadas integram a coalização governamental, conservadora: a Frente de Liberação Nacional (FLN), elegeu pouco mais de 3 mil candidatos e o Movimento da Sociedade para a Paz (islâmico, ex-Hamas), 1.150. Os grandes partidos legais de oposição, entre os quais a Frente das Forças Socialistas (FFS) e a Agrupação pela Cultura e Democracia, queixaram-se de que a votação foi fraudulenta.

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