Partido de Blair amarga derrota nas eleições
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de junho de 2004
Peter Walker<br> France Presse 
Londres - O Partido Trabalhista do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, sofreu uma severa derrota nas eleições locais de ontem, perdendo 468 cadeiras de vereadores, segundo os resultados das eleições apurados em 164 das 166 circunscrições em disputa.
A apuração de votos para as assembléias locais na Grã-Bretanha, o equivalente às câmaras municipais, demonstra o desapontamento dos eleitores com a política do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e do partido Trabalhista, em relação à guerra no Iraque.
Com cerca de 90% dos votos apurados na eleição dos conselhos locais realizada paralelamente à eleição para o Parlamento Europeu, com resultado a ser anunciado neste final de semana , o Partido Trabalhista amarga um humilhante terceiro lugar.
De acordo com um levantamento feito pela BBC, com amostragem de 400 mil votos, o Partido Trabalhista ficará com cerca de 26% dos votos, atrás do Partido Conservador, seu principal oponente, e do Liberal-Democrata. Um pequeno estímulo para os trabalhistas é a provável reeleição, por pequena margem de votos, do prefeito de Londres, Ken Livingstone.
Os números da primeira grande eleição no país desde que Blair decidiu apoiar os americanos na guerra do Iraque mostram que os eleitores deram uma ''lição'' ao Partido Trabalhista.''O Iraque foi uma sombra nessas eleições. Não estou dizendo que não levamos um ''chute''. Não é um grande dia para o Partido Trabalhista'', comentou o vice-primeiro-ministro, John Prescott.
O outro membro dos trabalhistas, o secretário do Interior, David Blunkett, disse estar atormentado pelos números e culpou o Iraque. ''Algumas pessoas perceberam que era a política errada. Ela divide famílias, divide o Partido Trabalhista e divide amigos'', disse ele. Os números mostram que Tony Blair, que ontem acompanhou os funerais de Ronald Reagan, em Washington, vem sendo pressionado de vários lados.
Com votos apurados em 145 dos 166 conselhos a serem escolhidos na Inglaterra e no País de Gales, o partido Trabalhista tinha perdido 430 cadeiras, enquanto os Conservadores e os Liberal-Democratas amealharam juntos 338 cadeiras. Oponentes descreveram os números como os piores dos trabalhistas nas últimas décadas.
As principais derrotas incluem a perda de controle das cidades de Newcastle e Leeds depois de 30 e 24 anos, respectivamente. O que indica que os Trabalhistas estão perdendo apoio até mesmo no norte, seu tradicional reduto eleitoral. O comparecimento às urnas foi de aproximadamente 40% do eleitorado, segundo a BBC, acima da média das últimas votações locais, graças em parte a um novo sistema postal de votação.
Apesar dos últimos resultados e dos diversos artigos publicados recentemente nos jornais britânicos prevendo o fim de Tony Blair, especialistas destacam que o atual primeiro-mistro ainda pode dar a volta por cima e se reeleger para um terceiro mandato nas próximas eleições gerais, que serão realizadas no meio do ano que vem.
Para isso, é preciso saber se os conservadores podem traduzir em apoio o que é um protesto contra Blair e se será concretizada a ameaça do Partido Independente de conseguir votos com base numa política de recuo do país em relação à União Européia.


