Partido Colorado tenta adiar eleições
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terça-feira, 03 de março de 1998
Reuter 
Reunido em convenção extraordinária, o governista Partido Colorado estava propenso ontem em Assunção a levar adiante uma proposta de adiamento das eleições presidenciais paraguaias marcadas para o dia 10 de maio, numa tentativa de impedir a candidatura do general reformado Lino César Oviedo, escolhido nas primárias do partido em novembro.
Hoje será o último dia para a apresentação das candidaturas, porém o partido ainda não encaminhou o nome de Lino César Oviedo, que ontem completou 80 dias de prisão por tempo indeterminado sob a acusação de ter tentado dar um golpe militar em abril de 1996. A detenção foi decidida por um tribunal militar especial criado pelo presidente do país, Juan Wasmosy.
Segundo partidários de Oviedo, Wasmosy pretende substituí-lo como postulante do Partido Colorado pelo presidente do partido, Luis María Arga¤a, que perdeu as primárias em novembro. Mas para isso Wasmosy precisa ganhar tempo, pois espera que a Justiça condene Oviedo, o que impediria sua candidatura. Em resposta a um recurso dos advogados de Oviedo, a Corte Suprema de Justiça interveio no caso, o que dificultará uma condenação pelo tribunal militar especial.
A coalizão de oposição deixou claro ontem, mais uma vez, durante um ato público no centro de Assunção, que não vai aceitar o adiamento das eleições, reiterando a acusação de que o governo tenta violar a Constituição. Isso significará a bancarrota de nosso país, assinalou o candidato da oposicionista Aliança Democrática, Domingo Laino. Durante o evento, partidários da coalizão distribuíram cópias de seu programa de governo.
Os colorados convidaram a oposição para uma negociação sobre a data das eleições, propondo a Igreja Católica como mediadora, porém o candidato a senador e chefe político da coalizão oposicionista, Julio Franco, declarou que em resposta ao disparate do adiamento das eleições a oposição vai chamar a população a ganhar as ruas, mesmo que o Exército se mobilize.
Em um discurso na madrugada de ontem, Arga¤a pediu aos países integrantes do Mercosul que respeitem a soberania paraguaia. Entretanto, os governos dos países parceiros do Paraguai no Mercosul, Brasil, Argentina e Uruguai, têm alertado o governo de Wasmosy: não aceitarão manobras para burlar a normalidade constitucional no país e a suspensão ou adiamento das eleições.


