Assunção - Não faz muitos anos, dirigentes do Partido Colorado, do Paraguai, diziam com galhofa que, se o Pato Donald ou até mesmo um objeto inanimado, como uma garrafa d'água, fossem candidatos a presidente pela sigla, venceriam com facilidade. Algo mudou. Apesar de ainda ter o controle do Estado, o autoproclamado ''maior partido da América do Sul'' enfrenta, na eleição de hoje, seu maior risco de deixar o poder em 61 anos de hegemonia.
As pesquisas no país variam de acordo com o interesse de quem as encomenda, mas quase todas mostram a liderança do ex-bispo Fernando Lugo (candidato da aliança de 20 partidos oposicionistas), com a colorada Blanca Ovelar em segundo e logo atrás o general reformado Lino Oviedo. Os números da Associação Nacional Republicana, nome oficial do Partido Colorado, de fato impressionam: 1,6 milhão de filiados, mais da metade dos 2,8 milhões de eleitores. No Brasil, com 127 milhões de eleitores, só o PMDB tem mais filiados, 2 milhões.
A manutenção por tanto tempo do comando do país se deu graças principalmente a um esquema de aparelhamento da máquina pública que torna difícil distinguir as fronteiras entre partido e Estado. A votação dos ''oficialistas'', como são chamados no Paraguai, minguou nos últimos anos. Nas eleições de 1998, o colorado Raúl Cubas Grau teve 55,4% dos votos, contra 43,9% de uma aliança oposicionista. Ele renunciaria após sete meses, acusado de tramar o assassinato de seu vice, Luis María ArgaÀa, uma das tantas crises do país desde a redemocratização, em 1989, que incluem tentativas de golpe, conspirações e escândalos de corrupção.
Em 2003, o atual presidente, Nicanor Duarte, venceu com 37,1%, menos que a soma dos outros três principais candidatos (58,8%), o que é possível pois não há segundo turno. A impopularidade de Nicanor, apesar de alguns avanços macroeconômicos de sua gestão, é outro reflexo do descontentamento dos paraguaios com os colorados. ''Há um clima psicológico geral de busca por mudança e uma efervescência social, gerada pelo fracasso das políticas de Estado. O país cresceu 6,2%, mas isso não chega aos setores populares'', analisa o sociólogo Domingo Rivarola, professor da Universidade Nacional de Assunção.
A Justiça Eleitoral estima que, graças a um sistema de tabulação rápida dos dados, poderá divulgar o resultado por volta das 22 horas locais (23h em Brasília), quando mais de 90% dos votos estarão contabilizados.

mockup