Partidários e opositores de Mursi mantêm a pressão
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sábado, 06 de julho de 2013
France Presse 
Cairo - O clima era tenso na manhã de ontem no Cairo, onde a Irmandade Muçulmana convocou novas manifestações em apoio ao presidente deposto pelos militares Mohamed Mursi, um dia depois de ao menos 30 pessoas perderem a vida em confrontos no país.
Embora os islamitas insistam no caráter pacífico de sua mobilização, os moradores de alguns bairros do Cairo afirmaram à AFP que viram vários de seus seguidores armados com facas, paus e armas.
No bairro residencial de Manial, vários moradores viram franco-atiradores nos telhados e alguns médicos disseram à AFP terem recebido pessoas com ferimentos de bala que indicavam que os disparos foram efetuados do alto.
Em vários locais havia barricadas e as ruas estavam cobertas de pedras e de pneus queimados, que davam uma ideia da violência ocorrida durante a noite. As forças antidistúrbios estavam mobilizadas, com homens armados, em alguns cruzamentos e pontes, constatou a AFP.
Os acessos à praça Tahrir estavam sob o controle dos anti-Mursi, armados com paus. No entanto, a calma prevalecia na praça, onde centenas de pessoas passaram a noite em barracas.
Na sexta-feira, os confrontos entre os partidários e os opositores de Mursi e entre os pró-Mursi e os soldados deixaram cerca de 20 mortos e cerca de mil feridos, principalmente no Cairo e em Alexandria (norte), as duas principais cidades do país.
Além disso, na instável península do Sinai (nordeste), cinco policiais e um soldado morreram em ataques de ativistas islamitas que não foram reivindicados. Durante a noite, os islamitas atacaram o governo do Norte do Sinai e içaram sua bandeira.
Desde 26 de junho, os confrontos deixaram mais de 80 mortos no país.
Durante a noite, a Irmandade Muçulmana convocou novas manifestações, o que aumenta os temores de mais distúrbios, embora a organização insista no caráter pacífico de seus protestos.
O movimento Tamarrod (rebelião), incentivador das manifestações de 30 de junho contra Mursi que levaram a sua queda, convocou um novo protesto para domingo em todo o país contra a Irmandade Muçulmana.
Na sexta-feira, os partidários do ex-chefe de Estado islamita multiplicaram as manifestações. Uma delas contou com a presença de seu guia supremo, Mohamed Badie, pouco depois que os serviços de segurança anunciaram sua detenção.
O número dois da Irmandade Muçulmana, Khairat al-Shater, foi detido durante a noite, mas Badie informou que tem a firme intenção de manter milhares de pessoas nas ruas até que o presidente deposto recupere seu cargo.
Desde novembro, os opositores de Mursi o acusam de querer acumular o poder para ele e para a Irmandade Muçulmana. Seus partidários afirmam, pelo contrário, que é preciso se desfazer de uma burocracia hostil herdada da era Mubarak.


