Pelo menos 500 pessoas participaram de uma manifestação na aduana paraguaia da Ponte da Amizade, via que liga Ciudad del Leste a Foz do Iguaçu, em apoio à tentativa de golpe militar dos supostos seguidores do ex-general Lino Cesar Oviedo ocorrido na noite de anteontem na capital Assunción, que acabou provocando o fechamento da fronteira e impedindo a entrada de sacoleiros e turistas brasileiros ao país vizinho. A fronteira foi reaberta por volta das 19h30.
Apesar da grande agitação, não foram registrados incidentes entre os manifestantes e a Polícia Nacional do Paraguai. Cerca de 30 soldados, armados com fuzis e protegidos por escudos, fizeram um cordão de isolamento para impedir o avanço da população. Junto com outros simpatizantes do ex-general, o ambulante Rubens Rodriguez permaneceu o tempo todo com uma foto de Oviedo diante dos policiais, gritando ‘‘Este é nosso presidente’’.
As notícias que circulavam na manifestação eram que 35 oficiais do exército, 12 policiais, três deputados oviedistas e um general da reserva estavam presos, acusados de incitação ao golpe de estado. O líder dos golpistas seria o militar Victor Lopez, ex-representante do Paraguai na Junta Interamericana de Defesa, sediada em Washington (EUA).
No final da tarde de ontem, um grupo formado por quatro agentes especiais paraguaios foram a Delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu. O delegado-executivo, Alexandre Morato Crenitte, que substitui temporariamente o delegado-chefe, Eudes Carneiro, se recusou a falar sobre o assunto, discutido à portas fechadas. Agentes paraguaios comentaram que um pedido de busca e captura ao ex-general Lino Oviedo teria sido encaminhado às autoridades brasileiras, supondo que ele estaria escondido em um hotel de Foz do Iguaçu. A Folha apurou que o assunto tratado com Crenitte foi encaminhado a Curitiba e também a Brasília.
Esta é a terceira tentativa de golpe de estado nos últimos quatro anos. Oviedo é fugitivo da Justiça paraguaia, acusado de liderar as tentativas de golpe no país e também suspeito de ser mandante do assassinato do vice-presidente Luiz Maria Argaña, em março do ano passado.

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