Partidários de Bush temem ''traição''
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Das agências De Washington 
O candidato republicano George W. Bush alcançou a maioria absoluta dos 538 membros do Colégio Eleitoral ao ser considerado vitorioso na Flórida, conforme decisão da Câmara de Representantes local que acabou fortalecida com a deliberação da Suprema Côrte norte-americana de contestar a continuidade da apuração manual no Estado. Com isto, Bush ganhou os 25 grandes eleitores do Estado, passando a contar com 271 votos no Colégio Eleitoral que vai referendar a escolha do novo presidente, dia 18, contra 267 votos de seu rival democrata, Al Gore. O triunfo de Bush na Flórida foi garantido por uma margem mínima: 537 votos sobre um total de 6 milhões de sufrágios. No entanto, na votação popular em todo o país, Gore venceu com 50.158.094 votos a seu favor, contra 49.820.518 de Bush.
Só em três oportunidades em toda a história dos Estados Unidos um presidente foi eleito apesar de ter obtido menos votos populares que seu rival. A última vez que isso aconteceu foi em 1888.
TemorOs grandes líderes republicanos, satisfeitos com o veredito da Suprema Corte federal, lançaram, contudo, um alerta: Atenção com os judas entre os Grandes Eleitores. O temor é justificado: bastariam dois eleitores que mudem de lado para reestabelecer a paridade entre George W. Bush e Al Gore.
Na televisão, Jack Warner, senador republicano da Virgínia, presidente da Comissão Defensora, denunciou que uma chuva de e-mails vem pressionando muitos eleitores a mudar seu voto. Na realidade, há a possibilidade de que qualquer dos chamados Grandes Eleitores traia seu próprio mandato pois não há sanções previstas em lei para isto. Há precedentes, mas nunca decisivos.
Desta vez, pressões e talvez tentativas de corrupção poderiam ser mais um reflexo por arrependimentos da democracia, porque Bush será o presidente, mas Gore obteve a maioria do voto popular.
Em geral, os Grandes Eleitores são leais ao partido. Mas pelo menos nove vezes no passado um deles votou de forma diversa. A última ocorreu em 1988, quando os Grandes Eleitores democratas deviam votar pelo candidato à presidência Michael Dukakis, amplamente derrotado por George Bush, o pai do atual candidato republicano. Uma delegada de Virgínia Ocidental, Margarette Leach, votou no vice de Dukakis, Lloyd Bentsen, como presidente. Quero manifestar-me contra o Colégio Eleitoral, explicou Leach.
Outros casos similares ocorreram em 1976 e 1972, todos, no entanto, sem impacto direto sobre o resultado das das eleições.


