Cenas de histeria, choro e repúdio contra o presidente Raul Cubas eram vistas ontem nos arredores da Clínica Americana após a confirmação da morte do vice-presidente Luis María Argaña, vítima de um atentado ontem pela manhã.
Argaña, inimigo declarado do presidente, faleceu nessa clínica em consequência dos ferimentos à bala no atentado cometido por homens vestidos com uniforme militar.
Os partidários de Argaña quebraram vidros de automóveis e jogaram objetos contra os políticos da situação e da oposição que tentavam entrar no hospital para dar os pêsames aos familiares.
O presidente Cubas, através do ministério do Interior, anunciou o fechamento das fronteiras para impedir a fuga dos assassinos.
Argaña sofreu um atentado à bala de escopeta e de fuzil M-16 depois de ser interceptado no automóvel em que viajava acompanhado de seu motorista e seu guarda-costas.
Os partidários de Argaña acusam diretamente o presidente Cubas e seu padrinho político, o general reformado Lino Oviedo.
Juan Carlos Galaverna, um dos principais porta-vozes do líder político assassinado, exigiu ‘‘a renúncia imediata’’ de Cubas e a prisão de Oviedo.
‘‘Cubas e Oviedo planejaram o assassinato’’, afirmou Nicanor Duarte, candidato a presidente do Partido Colorado pelo movimento Reconciliação Colorada liderada por Argaña.
‘‘Eles devem pagar por este crime. Eles implantaram o terror no Paraguai’’, afirmou.
Pouco após o anúncio da morte do vice-presidente, grupos de manifestantes começaram a se concentrar diante do Palácio do Governo, em Assunção.
Os gritos pela renúncia do presidente se repetiam, em uma clara tentativa de vinculá-lo à morte de Argaña, seu adversário político.
Em frente ao hospital Americano, onde o vice-presidente morreu, partidários de Argaña e Cubas se confrontaram.
Vários líderes sindicais, de estudantes e camponeses fizeram discursos pedindo greve geral e esclarecimento da morte.
O presidente do Partido Colorado, Bader Rachid, emitiu um comunicado ontem culpando Cubas pela morte de Argaña:
‘‘O Partido Colorado condena severamente esse ato repugnante e responsabiliza o poder executivo, e o movimento político por trás dele, por ele’’.
Oviedo tem repetidamente ameaçado usar a violência contra rivais do Partido Colorado e juízes da Suprema Corte que ordenaram que ele voltasse para a prisão.
O crime foi um dos mais sangrentos assassinatos na usualmente calma capital paraguaia.

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