Participação é a grande incógnita
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de janeiro de 2005
Mohamed Hasni<br>France Presse 
Bagdá A credibilidade das eleições de hoje no Iraque dependerá do índice de participação de eleitores e das regiões com votação expressiva, considerando que se trata de um país marcado pela violência e sem tradição democrática.
Os especialistas prevêem uma grande abstenção do eleitorado sunita, chamado a boicotar as eleições, e uma participação mínima nas regiões com forte presença sunita e nas áreas onde a guerrilha multiplica os ataques contra os locais de votação e as ameaças aos candidatos e eleitores.
É o que confirmam os resultados de uma pesquisa recente do Centro Iraquiano de Pesquisas e Estudos Estratégicos, que destaca que a taxa de participação será provavelmente nula em Ramadi, capital da província rebelde de Al-Anbar, ao oeste de Bagdá.
Nesta cidade, o exército americano instalou dois centros de votação e pediu aos vizinhos dos locais que abandonem suas casas para que não se exponham a eventuais ataques. A guerrilha, em particular os grupos extremistas de Abu Musab Al-Zarqawi e Ansar Al-Suna, vinculados à rede terrorista Al-Qaeda, cometeu vários ataques contra os locais de votação na região ao norte de Bagdá, muito habitada por su©nitas.
Os rebeldes também intensificaram as ameaças contra os candidatos um deles foi assassinado pelo grupo de Zarqawi e as intimidações aos eleitores potenciais para que não compareçam às urnas.
O Centro Iraquiano de Pesquisas prevê ainda uma taxa de participação de apenas 12% na província de Nínive, cuja capital é Mossul, terceira cidade do Iraque e predominantemente sunita. A participação deve chegar a 14% na província de Salahedín, cuja capital, Tikrit, era o reduto do ditador Saddam Hussein.
Em Bagdá, que possui importantes comunidades curdas e xiitas, a participação prevista é de 44%, o que seria um nível aceitável para a votação, que deve ter uma forte presença de eleitores nas três províncias curdas do norte, assim como nas zonas xiitas do centro e sul do Iraque. Porém, mesmo nas regiões onde se espera uma grande participação, as rígidas medidas de segurança e a falta de informação podem desestimular vários eleitores.
No sul, muitas personalidades acusaram a Comissão Eleitoral de não ter explicado o funcionamento da votação. ''Muitos eleitores não sabem como votar por falta de uma campanha de informação da Comissão'', afirmou Hamed Dalimi, chefe de redação da revista Hiwar de Basra.
De qualquer maneira, antes mesmo das eleições, os Estados Unidos já minimizaram oficialmente a importância do critério de participação para avaliar a legitimidade do resultado da votação.


