de Jerusalém
O gabinete israelense quase se cindiu ontem em uma reunião na qual deveria aprovar ou rejeitar o histórico acordo para a desocupação da parte árabe de Hebron, mas as expectativas eram de que ao final da reunião o acordo fosse aprovado. Os ministros e principais assessores israelenses discutiram, nem sempre em tom amistoso, por mais de sete horas e a portas fechadas o texto do acordo, ponto a ponto. Enquanto isso, o Estado judeu reforçava suas tropas na cidade cisjordaniana para impedir protestos de colonos judeus, que se opõem fortemente à autonomia palestina.
O gabinete da Autoridade Palestina (AP) também se reuniu para debater o pacto, que será levado hoje aos Parlamentos israelense e palestino. Se os Parlamentos, como se prevê, ratificarem o entendimento, a desocupação pode começar amanhã. O acordo foi assinado na noite de terça-feira (dia 14 no Brasil, mas já dia 15, pelo horário local) por negociadores dos dois lados, depois de meses de intensa pressão e mediação dos EUA.
‘‘Estamos orgulhosos de ter acertado o acordo de Hebron, o primeiro que assinamos com o Likud’’, afirmou o negociador palestino Mahmoud Abbas, mais conhecido como Abu Mazen. ‘‘Esperamos que este seja o início de mais acordos com esse governo.’’
Pelo pacto, cuja cerimônia formal será realizada na presença de líderes estrangeiros, o Exército israelense tem dez dias para se retirar de 80% da cidade e a desocupação das áreas rurais da Cisjordânia deve começar em dois meses.
O acordo marca um recuo político de Netanyahu, que prometera nunca abrir mão de parte da terra bíblica de Israel. ‘‘Este é um momento muito triste para o mundo, para o país e para a cidade’’, afirmou Noam Arnon, líder dos 450 colonos judeus que vivem em meio a mais de 100 mil moradores árabes em Hebron. ‘‘Estou muito desapontado: Netanyahu escreveu um livro dizendo que não poderia haver rendição ao terrorismo e agora acertou um acordo com um grupo terrorista.’’
Do lado palestino, os grupos integristas muçulmanos Hamas e Jihad Islâmica também condenaram o acordo. ‘‘O Hamas rejeita esse pacto - que é uma extensão dos tratados de capitulação de Oslo - e adverte a AP para não lançar uma ofensiva contra o movimento e atacar as infra-estruturas do grupo, como prometido no acordo’’, assinalou a organização num comunicado. ‘‘O Hamas está comprometidco com sua luta sagrada e, no fim, a ocupação e a tirania serão derrotadas e a justiça e a verdade triunfarão’’. O presidente Arafat advertiu o Hamas, que costuma expressar sua desaprovação com atentados à bomba suicidas, para aceitar os acordos legitimados pelos dois poderes.

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