Bagdá A Comissão de Relações Exteriores e Árabes do Parlamento iraquiano aconselhou o governo, ontem, a rejeitar a resolução 1441 sobre o desarmamento do país, aprovada sexta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, enquanto Washington reiterava as ameaças de guerra. ''A resolução do Conselho de Segurança da ONU é injusta'', anunciou o presidente da Comissão, Salem Al Kobaissi, durante uma sessão aberta à imprensa estrangeira.
O parlamento iraquiano foi convocado pelo presidente Saddam Hussein para ''estudar'' a resolução e submeter suas conclusões ao Conselho de Direção da Revolução, o órgão de governo iraquiano com maiores poderes, presidido também por Hussein.
Kobaissi assegurou que o Parlamento dava ''todo apoio às decisões que Saddam adotou e adotará'' pelo bem do Iraque. ''Recomendamos a ele que dirija a vida política no Iraque para agir como achar conveniente a fim de defender seu povo'', acrescentou.
As autoridades iraquianas qualificaram a resolução de ''má e injusta'', embora anunciaram que a examinavam ''com tranquilidade'', deixando a entrever que se resignariam a aceitá-la.
Segundo um líder do partido Baath no poder, Saad Kassem Hammudi, Bagdá tem interesse em cooperar com os especialistas em desarmamento ''como já o fez no passado'' para conseguir o levantamento do embargo imposto ao Iraque há 12 anos.
Na opinião de outros analistas, tudo leva a crer que Bagdá acabará se dobrando às exigências da resolução seguindo as recomendações de todos seus vizinhos árabes.
O Iraque tem prazo até sexta-feira para se pronunciar sobre a resolução, aprovada por unanimidade no Conselho de Segurança da ONU. A 1441 endurece o regime de inspeções do armamento iraquiano reprsentando mesmo uma ''última oportunidade'' para se desfazer de seu arsenal e evitar assim um guerra.
Temendo uma ação militar norte-americana, o jornal governamental Al Jumhuriya pediu aos árabes que realizem atentados contra os interesses dos Estados Unidos se Washington atacar o Iraque.

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